'O Agente Secreto' e Wagner Moura vencem Globo de Ouro
Filme de Kleber Mendonça Filho conquista prêmio de melhor filme em língua não inglesa; Wagner Moura é eleito melhor ator em drama
O filme brasileiro 'O Agente Secreto', dirigido por Kleber Mendonça Filho, foi o grande vencedor na categoria de melhor filme em língua não inglesa no Globo de Ouro, superando concorrentes de peso como o norueguês 'Valor Sentimental', de Joachim Trier, e 'Foi Apenas um Acidente', de Jafar Panahi. O ator Wagner Moura também foi premiado, levando o troféu de melhor ator em filme de drama.
A cerimônia da 83ª edição do Globo de Ouro ocorreu na noite de ontem, em Los Angeles. 'O Agente Secreto' ainda concorria ao prêmio de melhor drama, que acabou ficando com 'Hamnet'.
Ao receber o prêmio, Kleber Mendonça Filho destacou a importância do momento para o cinema: "Esse é um momento importante para se fazer filmes. Eu dedico esse prêmio aos jovens cineastas. Façam filmes", declarou no palco.
Antes da premiação, no tapete vermelho, Mendonça Filho comentou sobre o significado da obra: "Nosso país tem um problema com memória. Muita gente diz que é um filme sobre memória, mas acredito que seja sobre amnésia – o brasileiro, o francês, os alemães, os australianos, os americanos, todos estão entendendo muito bem o filme. Tornou-se uma obra universal ao abordar o poder e o esquecimento da memória".
Wagner Moura ressaltou uma das principais qualidades do longa: "Muitos filmes políticos se perdem porque o discurso vem antes da humanidade. Quando é ao contrário, não tem jeito: as pessoas vão olhar aquela pessoa e reconhecê-la. Quando você vê uma obra, e ela te transforma, isso é política. Eu gosto de cinema político, e esse filme é".
Entre outros destaques da noite, Rose Byrne, de 'Se Eu Tivesse Pernas, Eu Te Chutaria', repetiu o feito do Critics Choice Awards e foi eleita melhor atriz em comédia ou musical, superando nomes como Emma Stone ('Bugonia'). Timothée Chalamet venceu como melhor ator de comédia ou musical, consolidando-se como favorito ao Oscar ao superar veteranos como Leonardo DiCaprio, George Clooney, Ethan Hawke e L.B.-Hun.
Chalamet elogiou os concorrentes em seu discurso: "Estou em uma categoria com muitos dos grandes, admiro todos vocês".
Teyana Taylor, de 'Uma Batalha Após a Outra' (que rendeu a Paul Thomas Anderson o prêmio de direção), foi escolhida melhor atriz coadjuvante e afirmou: "O amor é uma ação, não só uma palavra". Stellan Skarsgard, eleito melhor ator coadjuvante por 'Valor Sentimental', defendeu a experiência do cinema nas salas: "Quando as luzes se apagam, você começa a compartilhar a respiração com os outros, é algo mágico. Cinema deve ser visto no cinema".
Nas categorias de televisão, Jean Smart conquistou pelo segundo ano consecutivo o prêmio de melhor atriz em comédia. Noah Wyle foi eleito melhor ator dramático por 'The Pitt', enquanto Seth Rogen venceu como melhor ator de comédia por 'O Estúdio'. Owen Cooper, jovem astro de 'Adolescência', levou o troféu de melhor ator coadjuvante em filme para TV ou série limitada; Stephen Graham, do mesmo elenco, venceu como melhor ator. Michelle Williams foi premiada como melhor atriz por 'Morrendo por Sexo'.
A apresentadora Nikki Glaser animou a cerimônia com brincadeiras sobre a beleza de Jennifer Lawrence, a idade da namorada de Leonardo DiCaprio e fez alusão ao Departamento de Justiça dos EUA, mencionando as partes editadas dos diários de Jeffrey Epstein.