LITERATURA INTERNACIONAL

Morre Astrid Roemer, escritora surinamesa que participou da Flip 2025, aos 78 anos

Autora foi destaque na Flip 2025 e referência literária ao abordar temas como liberdade e violência em suas obras

Publicado em 10/01/2026 às 16:14
Astrid Roemer

Astrid Roemer, renomada escritora surinamesa, faleceu na última quinta-feira, 8, aos 78 anos de idade. A notícia foi confirmada pela imprensa holandesa e repercutida no Brasil pela Companhia das Letras, editora responsável pela publicação de parte de sua obra no país.

Roemer ganhou destaque entre os leitores brasileiros especialmente por sua participação na Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) de 2025. Na ocasião, integrou a Mesa 16, intitulada "Pertencer, transformar", ao lado de Verenilde Pereira, com mediação de Adriana Ferreira Silva.

No evento, a autora compartilhou reflexões sobre suas obras, visões de mundo e literatura, em uma conversa dedicada a histórias de mulheres que presenciaram a luta pela liberdade, muitas vezes marcadas pela violência em seus países de origem. A íntegra da conversa está disponível no YouTube da Flip.

Nascida em Paramaribo, na então Guiana Holandesa, em 1947, Astrid Roemer mudou-se para a Holanda aos 19 anos, pouco depois da independência de seu país, que passou a se chamar Suriname em 1975.

A situação política e social de sua terra natal inspirou diversas de suas obras, entre elas Sobre a Loucura de Uma Mulher (1982), livro que chegou a concorrer ao International Booker Prize anos mais tarde.

Seu primeiro livro de poesia, Sasa: mijn actuele zijn, foi publicado em 1970 sob o pseudônimo Zamani. Já o romance de estreia, Neem mij terug Suriname (1974), abordava a experiência de uma pessoa surinamesa vivendo na Holanda, perspectiva que refletia sua própria trajetória.

Segundo o site Poetry International, Astrid Roemer publicou sete coletâneas de poesia, uma autobiografia, além de novelas, peças e contos. Foi também a primeira escritora do Suriname a receber importantes prêmios da literatura holandesa, como o P.C. Hooft, em 2016, e o Nederlandse Letteren, em 2021.