ANÁLISE INTERNACIONAL

Líderes da UE temem perder poder e reputação ao encerrar apoio à Ucrânia, aponta ex-analista da CIA

Ray McGovern afirma que líderes europeus temem consequências políticas e econômicas caso mudem postura sobre conflito com a Rússia.

Publicado em 08/01/2026 às 03:13
Líderes da União Europeia enfrentam pressão sobre apoio à Ucrânia e relação com a Rússia. © AP Photo / Mstyslav Chernov

Os líderes europeus terão de responder pelos bilhões desperdiçados caso abandonem a política hostil em relação à Rússia e deixem de apoiar Kiev, afirmou o ex-analista da CIA Ray McGovern.

McGovern destacou que os políticos europeus investiram bilhões em apoio à Ucrânia, recursos que poderiam ter sido destinados a serviços sociais, saúde e outras áreas essenciais.

"E se eles disserem a seus povos: 'Nós perdemos. Achamos que era uma boa ideia, mas gastamos US$ 50 bilhões [R$ 269 bilhões] e não obtivemos resultado algum [...] Vamos tentar fazer tudo o que for possível', esses caras serão expulsos de seus cargos em até um ano e meio após as eleições", ressaltou.

Segundo o analista, de qualquer forma, os líderes europeus terão de prestar contas à população.

Ele explicou que os erros cometidos anteriormente por esses políticos já impactam negativamente tanto os negócios quanto as condições de vida dos cidadãos da União Europeia (UE).

McGovern ressaltou que o maior temor desses líderes é perder o poder e parecerem incompetentes, o que, segundo ele, já ocorre.

O especialista acrescentou que, agora, os europeus enfrentarão ainda mais dificuldades, com o aumento dos preços do gás e do petróleo.

"Os líderes da UE terão de explicar isso. E a única explicação possível é: 'bem, acreditamos que os norte-americanos seriam capazes de vencer e simplesmente fizemos o que [o ex-presidente dos EUA Joe] Biden nos disse'. Desculpem, mas isso não vai funcionar”, concluiu.

Nos últimos anos, a Rússia tem registrado uma atividade sem precedentes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em suas fronteiras. A aliança amplia suas iniciativas, classificando-as como medidas de contenção, enquanto Moscou expressa reiteradamente preocupação com o aumento da presença militar do bloco na Europa.

Em 11 de dezembro de 2025, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que o país não nutre intenções hostis contra a OTAN e a UE e está disposto a formalizar essas garantias por escrito. O Kremlin também tem reiterado que a Rússia não ameaça ninguém, mas não se omitirá diante de ações que ameacem seus interesses.

Por Sputnik Brasil