ELEIÇÕES

Banco Master, R$ 2 milhões em espécie e rádios suspensas pressionam JHC na reta final

Nomeações de investigados no caso IPREV/MASTER , apreensão ligada a funcionários de contratada da Prefeitura e decisões eleitorais ampliam a cobrança por explicações a cinco dias da votação

Por Redação Publicado em 29/09/2026 às 16:01
Escândalos financeiros, perseguição à imprensa e pesquisas sob suspeitas dão o tom da campanha de JHC

A cinco dias das eleições, João Henrique Caldas (PSDB) chega à reta final da disputa pelo Governo de Alagoas cercado por questionamentos sobre episódios ocorridos durante sua gestão em Maceió e por decisões da Justiça Eleitoral que atingiram a campanha. Os casos têm naturezas e estágios de apuração diferentes, mas colocam o ex-prefeito sob pressão justamente quando os eleitores esperam respostas.

O episódio de maior repercussão envolve os R$ 97 milhões aplicados pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos de Maceió (Iprev) no Banco Master. Ao examinar a competência para conduzir o caso, a Justiça Federal registrou manifestação do Ministério Público Federal que apontava o “possível envolvimento” de JHC, em razão de sua condição formal de responsável legal pela unidade gestora e de seu poder de nomear e exonerar dirigentes da autarquia.

Essa referência não equivale a afirmar que o ex-prefeito tenha sido formalmente identificado como investigado ou que tenha praticado irregularidade. A distinção foi ressaltada em decisões da Justiça Eleitoral sobre publicações a respeito do caso. Permanece, porém, a cobrança política por explicações sobre as aplicações feitas durante sua administração e sobre a escolha dos dirigentes do Iprev alcançados pela investigação e por medidas de bloqueio de bens. JHC afirma que não determinava os investimentos do instituto.

Outra frente de questionamentos surgiu após a apreensão de cerca de R$ 2 milhões em espécie com dois funcionários da Ceilurb, empresa contratada para prestar serviços à Ilumina, autarquia de iluminação pública de Maceió. O episódio ganhou dimensão política diante dos pagamentos de R$ 8,5 milhões feitos à empresa nos nove dias anteriores e do reconhecimento de um passivo de R$ 212,2 milhões em um Termo de Ajustamento de Gestão firmado às vésperas da saída de JHC da Prefeitura. A origem e a destinação do dinheiro apreendido dependem de apuração; o vínculo dos funcionários com a contratada, por si só, não demonstra participação do candidato no saque.

Na comunicação, uma decisão do Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas determinou a suspensão da programação regular de nove emissoras de rádio e de dez perfis nas redes sociais. A medida foi tomada em ação que apura suspeita de uso indevido dos meios de comunicação em benefício da candidatura de JHC. Trata-se de uma decisão no curso da investigação eleitoral, ainda sujeita à defesa dos envolvidos e à análise definitiva.

A divulgação de pesquisas também foi parar na Justiça Eleitoral. O TRE-AL determinou a retirada de conteúdos e suspendeu a divulgação de um levantamento questionado em processo que alcançou uma publicação feita por JHC. As decisões sobre peças específicas não autorizam tratar todas as pesquisas da eleição como irregulares, mas mostram que a disputa pelos números também se tornou uma frente judicial da campanha.

Ao mesmo tempo, o candidato é cobrado pelas ausências em debates da Band Alagoas, da TV Ponta Verde/SBT e da TV Pajuçara/Record, além de sabatinas programadas. Há um último encontro marcado com Renan Filho para esta terça-feira (29). Depois das faltas anteriores, a pergunta é se JHC comparecerá para responder diretamente ao adversário e ao eleitor.

Banco Master, dinheiro em espécie, meios de comunicação e pesquisas são episódios distintos: nenhum deve servir de prova automática para o outro. Juntos, porém, ampliam a exigência de respostas públicas do ex-prefeito na reta final da campanha.