VÍDEO: Polícia diz que contratos de empresa com a gestão JHC serão incluídos em inquérito após apreensão de R$ 2 milhões
Em entrevista, policiais afirmam que empresa movimentou R$ 5,84 milhões em espécie em dez dias e manteve contratos com a Prefeitura de Maceió entre 2021 e 2026
Embora a apreensão de R$ 2 milhões em espécie já tenha sido divulgada pela imprensa, um trecho da entrevista concedida pelos responsáveis pela investigação chama a atenção para um aspecto que amplia a repercussão política do caso: a empresa relacionada à movimentação do dinheiro manteve contratos com a Prefeitura de Maceió durante a gestão de João Henrique Caldas, o JHC.
No vídeo, um dos policiais afirma expressamente que as contratações realizadas entre a empresa e o Município, no período de 2021 a 2026, serão levantadas e incorporadas ao inquérito policial.
“Os contratos que foram realizados dessa empresa com a Prefeitura de Maceió ocorreram no ano de 2021 até 2026, na gestão do ex-prefeito JHC. Todos esses contratos serão levantados e farão parte do inquérito policial”, declarou.
A fala oficial desloca o episódio de uma simples apreensão de dinheiro em espécie para uma investigação que poderá alcançar a origem dos recursos recebidos pela empresa, seus vínculos contratuais com o poder público municipal e a destinação dos valores sacados.
Mulheres disseram que entregariam dinheiro à dona da empresa
Segundo o relato dos policiais, duas mulheres abordadas após o saque declararam que retiraram os R$ 2 milhões a pedido da proprietária da empresa. O dinheiro seria levado até o estabelecimento e entregue à empresária.
A polícia informou ainda que a proprietária responde em Sergipe por peculato, crime contra a administração pública relacionado à apropriação ou ao desvio de recursos públicos.
“Elas alegaram que fizeram o saque a pedido da dona da empresa e que levariam esse recurso para a empresa. Esse dinheiro seria entregue à dona”, relatou o policial durante a entrevista.
A eventual responsabilidade da empresária e de outras pessoas envolvidas ainda será apurada no curso do inquérito, garantindo-se o direito de defesa.
R$ 5,84 milhões sacados em dez dias
Outro dado relevante revelado no vídeo é o volume movimentado pela empresa em um curto intervalo. De acordo com a investigação, foram realizados saques que somam R$ 5,84 milhões em apenas dez dias.
A sequência teria começado com uma retirada de R$ 1 milhão, seguida de outro saque de R$ 840 mil e, posteriormente, de duas retiradas de R$ 2 milhões cada. O último saque ocorreu no dia 18 e resultou na apreensão divulgada pelas autoridades.
As movimentações já estavam sendo acompanhadas pela Polícia Civil de Sergipe, por meio da Delegacia de Crimes Financeiros. Após a identificação dos saques efetuados em Alagoas, foi solicitado o apoio da Secretaria de Segurança Pública alagoana.
Origem e destino serão investigados
A Polícia Civil ainda não apresentou uma conclusão sobre a origem dos R$ 2 milhões apreendidos nem afirmou que o dinheiro tenha saído diretamente dos contratos mantidos com a Prefeitura de Maceió. Também não foi confirmada, até o momento, eventual destinação eleitoral dos valores.
Essas possibilidades dependerão da análise de documentos bancários, fiscais e contratuais e de outros elementos que venham a ser reunidos pelas autoridades.
O que está oficialmente confirmado pela entrevista é que os contratos firmados pela empresa com a administração municipal entre 2021 e 2026 serão examinados e anexados ao inquérito.
“Durante o processo investigativo, irão surgir elementos que possam provocar a convocação de pessoas para que venham até a Polícia Judiciária de Alagoas prestar essas explicações”, antecipou o policial.
Investigação poderá envolver órgãos federais
Os responsáveis pelo caso ressaltaram que a Polícia Civil de Alagoas atua de maneira integrada com a Polícia Civil de Sergipe. Outros órgãos também poderão ser acionados caso surjam indícios de crimes submetidos à competência federal ou eleitoral.
“Órgãos federais, como Polícia Federal, Justiça Eleitoral e todo o aparato que compõe o sistema de Justiça brasileiro, estão à disposição para obter esses elementos de prova e dar uma resposta concreta sobre o possível desvio, a origem e a destinação desse dinheiro”, declarou o representante policial.
O vídeo da entrevista passa, portanto, a ocupar posição central no caso: é nele que a própria polícia confirma que a investigação não ficará limitada ao saque milionário. O inquérito também examinará as relações contratuais mantidas pela empresa com a Prefeitura de Maceió durante a gestão JHC.
A reportagem mantém espaço aberto para as manifestações da empresa e de sua proprietária, de JHC e da Prefeitura de Maceió.