MP Eleitoral solicita indeferimento de candidatura de Antônio Rueda
Ação é baseada em alegações de envolvimento com milícias na campanha do candidato a deputado federal.
O Ministério Público Eleitoral pediu à Justiça Eleitoral que o registro de candidatura de Antônio Eduardo Gonçalves de Rueda (União Brasil -RJ) a deputado federal seja indeferido por suposto envolvimento de chefes de milícias na campanha. O Estadão procurou Rueda, mas não obteve resposta.
O MPE justifica o pedido com base na proibição do uso de organizações paramilitares e milícias em campanhas políticas, estabelecida na Constituição Federal.
No documento, o MPE alega que a campanha do presidente do União Brasil teria o envolvimento de chefes de milícias, atuantes em Belford Roxo, município da Baixada Fluminense. Além disso, afirma que a campanha se vale de aparatos de coerção paramilitar.
O MPE cita ainda Luiz Eduardo Santos de Araújo ("Eduardo Araújo") e Fábio Augusto de Oliveira Brasil ("Fabinho Varandão"), personagens presentes na campanha de Rueda, e que tiveram os registros de candidatura a vereador nas Eleições de 2024 indeferidos pelo Tribunal Superior Eleitoral "por comprovada liderança e atuação como braços políticos de milícias armadas violentas."
Segundo o documento, Eduardo Araújo tem atuação ativa na coordenação e na promoção da campanha de Rueda. Araújo é policial militar e foi condenado a 8 anos de reclusão, inicialmente em regime fechado, pela prática de constituição de milícia privada.
Tanto Eduardo Araújo quanto Fabinho Varandão foram nomeados para secretários municipais pelo prefeito de Belford Roxo, Márcio "Canella" Correia de Oliveira, em 2025.
"A passagem formal de ambos pelo primeiro escalão governamental consolidou o seu papel de lideranças ativas na base eleitoral de Márcio Canella. Essa mesma estrutura territorial foi colocada à disposição da promoção engajada e ostensiva da candidatura de Antônio Rueda a Deputado Federal em 2026, evidenciando a tentativa de interferência do grupo paramilitar no processo eleitoral pela via transversa e oblíqua", defende o MPE.
O documento também cita envolvimento com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Ele destaca o depoimento do piloto Mauro Caputti Mattosinho prestado à Polícia Federal, em que ele alega que os jatos executivos operados pelo Táxi Aéreo Piracicaba (TAP) e utilizados por investigados do PCC - Roberto Augusto Leme da Silva ("Beto Louco") e Mohamad Hussein Mourad ("Primo") são de propriedade de Antônio Rueda.