JHC tenta desviar atenção da apreensão de R$ 2 milhões com terceirizados da Prefeitura
Com repasses de R$ 320 milhões da Prefeitura à Ceilurb, defesa de JHC se resume a contrato de R$ 19 milhões entre a empresa e o governo de Alagoas
Candidato ao governo de Alagoas, João Henrique Caldas (PSDB) passou o final de semana trabalhando na estratégia para reverter a suspeita de compra de votos após a apreensão de R$ 2 milhões, em dinheiro, com dois funcionários de uma empresa que presta serviços de iluminação à Prefeitura de Maceió.
Maurício Leite Tenório Costa, gerente da Ceilurb, e Leopoldo Del Rosário Toro Ramires Júnior, assistente da empresa, foram detidos na sexta-feira (18). As prisões aconteceram depois que a Polícia Civil de Sergipe informou que a dupla já havia realizado dois saques de R$ 1 milhão no estado na mesma semana.
A Ceilurb presta serviços à prefeitura de Maceió por intermédio da autarquia de iluminação pública Ilumina, administrada pelo primo de JHC, Gutemberg de Melo Bezerra, afilhado da ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Marluce Caldas, tia do ex-prefeito.
A estratégia de defesa adotada por JHC foi atribuir ao governo do Estado um contrato de R$ 19,8 milhões com a Ceilurb para manutenção da iluminação do Estádio Rei Pelé. O valor, no entanto, representa uma mínima fração do montante pago pelo então prefeito JHC à empresa desde 2022. Nos últimos quatro anos, a Ceilurb recebeu R$ 320,5 milhões de JHC, sendo R$ 56 milhões somente em 2026.
Três dias antes de renunciar ao cargo de prefeito de Maceió para disputar o governo de Alagoas, JHC assinou um Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) no valor de R$ 212,2 milhões, reconhecendo uma dívida com a empresa supostamente relacionada “reajustes contratuais atrasados”.
As suspeitas sobre a apreensão aumentam com a divulgação de que a Ceilurb recebeu R$ 8,5 milhões da prefeitura de Maceió em um período de 9 dias anteriores às prisões dos dois funcionários.
O TAG assinado por JHC garantiu à Ceilurb prioridade no recebimento de recursos da Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP), a taxa que os moradores de Maceió pagam na conta de energia. Na gestão de JHC na prefeitura, o aumento na cobrança fez com que os valores arrecadados saltassem de R$ 98 milhões em 2020 para uma previsão de R$ 200 milhões em 2026. Em seis anos, a prefeitura tirou dos maceionenses cerca de R$ 1 bilhão com pagamento da COSIP.
O acordo de JHC com a Ceilurb é alvo de um Inquérito Civil Público (nº 06.2026.00000296-3) aberto pela 14ª Promotoria de Justiça da Capital, Fazenda Pública Municipal, do Ministério Público de Alagoas (MPAL).
O procedimento investiga uma série de irregularidades na aplicação dos recursos pela autarquia Ilumina Maceió, entre eles, pagamentos indenizatórios por serviços prestados durante período de suspensão judicial do contrato; desvio de finalidade na aplicação de recursos da COSIP que seriam destinados à iluminação e ornamentação natalina e à instalação de uma pista de patinação; e irregularidades na execução, medição e pagamento de serviços de ampliação, modernização e telegestão do parque de iluminação pública, no período entre 2022 e 2025.

JHC tenta se desvencilhar do escândalo da apreensão de R$2 milhões com terceirizados da prefeitura