POLÍTICA

Cleitinho defende Minas e compara situação financeira ao Flamengo

Candidato ao governo de Minas classifica o estado como organizado e sem dívida, propondo aumento de receitas e parcerias.

Por Estadao Conteudo Publicado em 21/09/2026 às 13:05
Cleitinho Azevedo © Foto / JULIO DUTRA

O candidato ao governo de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), rejeitou nesta segunda-feira, 21, a avaliação de que o Estado esteja quebrado e comparou a situação financeira mineira à recuperação de um clube de futebol. Durante sabatina da BandNews, afirmou que Minas precisa mudar de energia, organizar as contas e estimular a atividade econômica. Como exemplo, citou o Flamengo, que, segundo ele, saiu de uma situação financeira difícil para se tornar uma potência mundial.

"Então, primeiro a gente tem que mudar essa energia do Estado. Eu vou dar um exemplo de time de futebol, como o Flamengo, que em 2016 estava quebrado. Hoje com uma boa gestão, Flamengo virou uma potência mundial", afirmou. "Ele motivou o ativo dele, que era a torcida, tudo que ele tinha de ativo, ele colocou na prática."

"Não caia nessa ladainha que o Estado tá quebrado, não", afirmou. Para Cleitinho, um sinal de quebra seria o atraso nos vencimentos das próprias autoridades. "O dia que eu ver um Estado quebrado é o dia que eu ver um salário do governador atrasado, ou que eu ver deputados fazendo manifestação lá no governo dizendo que o salário deles estão atrasados", disse. O candidato também citou salários de magistrados e desembargadores para defender a falta de organização no orçamento.

Dados do Portal da Dívida Pública da Secretaria de Estado de Fazenda de Minas Gerais, atualizados até 31 de agosto, mostram saldo total de R$ 208,87 bilhões. Desse montante, R$ 188,19 bilhões correspondem à dívida com a União, R$ 14,35 bilhões a demais contratos e R$ 6,33 bilhões a outras dívidas.

O próprio plano de governo de Cleitinho afirma que Minas enfrenta "severas restrições fiscais" e que será necessário "fazer mais com menos", com cortes de gastos, definição de prioridades e aumento da eficiência administrativa.

Questionado sobre como financiaria compromissos diante das contas estaduais, Cleitinho disse que pretende "aumentar a receita", reduzir a burocracia, atrair investimentos e ampliar parcerias com o governo federal e com a iniciativa privada.

"O Estado ele é fonte de despesa. Quem é fonte de riqueza é o agro, é o empreendedor, as indústrias, é o povo, é o trabalhador", afirmou.

Entre as medidas mais concretas citadas na sabatina, o candidato afirmou que pretende renegociar a dívida de Minas com a União, classificando o Propag como "mal necessário", e prometeu conceder automaticamente aos servidores a recomposição anual pela inflação a partir de sua eventual posse. Disse, porém, que não assume compromisso de pagar perdas acumuladas de governos anteriores.

A renegociação da dívida também aparece no plano de governo, que prevê "atuação firme junto ao Governo Federal para renegociar a dívida estadual e criar um fundo de retorno de recursos para investimentos em logística e infraestrutura em Minas Gerais".

Na infraestrutura, Cleitinho disse que pretende recorrer a parcerias com empresários para recuperar estradas. Citou como modelo uma iniciativa adotada em Divinópolis e aventou a possibilidade de empresas que tenham dívidas com o Estado executarem obras rodoviárias como contrapartida, com abatimento dos valores devidos.

"Tem empresas que devem o Estado aqui até com multas ambientais que chegam a mais de bilhões de reais. Eu posso fazer uma contrapartida com eles, permuta com eles, para que eles possam pegar algumas estradas e a gente descontar nessa dívida", afirmou.

Ao defender as parcerias com o setor privado, Cleitinho afirmou que pretende chegar ao governo sem compromissos pessoais com empresários. "Eu não vou entrar devendo ninguém e eu nunca vou pedir um empresário nada para mim. Eu vou pedir para o povo", declarou.

A fala sobre a relação com empresários ocorre em meio à análise, pelo MP-MG, de uma denúncia envolvendo cessões de aeronaves à campanha. Registros do DivulgaCandContas mostram três cessões de uso de aeronave feitas pelo empresário Eliésio Carlos Rodrigues, estimadas em R$ 21,45 mil. A abertura do procedimento é preliminar e não representa conclusão do Ministério Público sobre a existência de irregularidades.

Na ocasião, a assessoria de Cleitinho classificou a denúncia como infundada. "É uma denúncia infundada. Todos os atos da campanha ocorrem em conformidade com a legislação eleitoral", afirmou. As cessões constam da prestação de contas eleitoral e, por si só, não demonstram irregularidade nem contradizem a afirmação do candidato de que não pediria algo a empresários "para mim".