Rui diz que Maceió queimou quase R$ 1 milhão por minuto em nova aplicação do Iprev; vídeo
Ex-prefeito e vereador compara Maceió ao Rio de Janeiro, cita prejuízo de R$ 168 milhões em aplicações do fundo previdenciário municipal e cobra investigação após operação da Polícia Federal
O vereador por Maceió e ex-prefeito da capital, Rui Palmeira, voltou a fazer duras críticas às aplicações financeiras realizadas com recursos do Iprev Maceió e relacionou o caso local ao avanço das investigações nacionais sobre o Banco Master. Em declaração pública, Rui afirmou que Maceió teria “queimado” quase R$ 1 milhão por minuto em uma reunião que, segundo ele, durou 52 minutos e teria autorizado nova aplicação de alto risco com dinheiro previdenciário.
A fala amplia a pressão sobre a gestão municipal anterior, período em que João Henrique Holanda Caldas, o JHC, comandava a Prefeitura de Maceió. Rui, no entanto, dirige a crítica ao conjunto de decisões tomadas no âmbito do fundo previdenciário municipal, que tem natureza de autarquia e estrutura administrativa própria. As responsabilidades individuais por eventuais irregularidades ainda dependem de apuração formal pelos órgãos competentes.
Segundo Rui, o Rio de Janeiro e Maceió teriam em comum não apenas as praias, mas também decisões consideradas por ele “temerárias e irresponsáveis” em seus fundos de previdência. O vereador afirmou que o Rio foi o estado brasileiro que mais perdeu dinheiro no esquema envolvendo o Banco Master, enquanto Maceió teria sido a cidade brasileira que mais aportou recursos nas chamadas “letras podres” da instituição.
A declaração foi feita no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a 8ª fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis crimes financeiros envolvendo aportes do Rioprevidência, fundo de previdência dos servidores do Estado do Rio de Janeiro, em fundos ligados ao Banco Master. A operação teve como alvo o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, em investigação autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.
Na avaliação de Rui, a ofensiva da Polícia Federal no Rio aumenta a necessidade de investigação também em Maceió. “Hoje, a Polícia Federal bateu na porta do ex-governador do Rio de Janeiro. Quem será o próximo?”, questionou o vereador, ao cobrar apuração sobre os responsáveis pelas aplicações feitas com recursos previdenciários da capital alagoana.
O ponto mais forte da declaração foi a comparação feita por Rui sobre o tempo da reunião que teria autorizado nova aplicação. Segundo ele, além do Banco Master, agora haveria também valores investidos em “letras podres” do Banco Daycoval. O vereador afirmou que o Rio de Janeiro teria perdido R$ 70 milhões nesse novo episódio, enquanto Maceió teria aplicado R$ 50 milhões.
“Tudo isso decidido numa reunião de 52 minutos. Foi quase R$ 1 milhão por minuto queimado pela Prefeitura de Maceió”, declarou Rui.
A conta feita pelo vereador parte da divisão dos R$ 50 milhões pelo tempo citado da reunião. Em termos aproximados, o valor equivale a R$ 961 mil por minuto, número usado por Rui para reforçar o tom de gravidade da denúncia. A expressão “queimados”, nesse contexto, foi usada politicamente pelo parlamentar para criticar a velocidade e a gravidade da decisão atribuída ao processo administrativo do Iprev.
Rui também afirmou que, somadas as aplicações questionadas, Maceió teria acumulado um rombo de R$ 168 milhões em operações consideradas por ele malfadadas. Segundo o vereador, o prejuízo atinge diretamente aposentados e pensionistas vinculados ao regime previdenciário municipal.
“Maceió perdeu nessas malfadadas letras podres R$ 168 milhões, um rombo gigante para aposentados e pensionistas da Prefeitura de Maceió”, afirmou.
As declarações de Rui se somam a questionamentos que ele já vinha fazendo sobre a aplicação do Iprev Maceió no Banco Master. Em outubro de 2025, o vereador denunciou que o investimento do instituto em letras financeiras do banco teria contado com orientação de consultoria investigada pela Polícia Federal em outro caso envolvendo previdência municipal.
Em setembro do mesmo ano, Rui também já havia alertado para riscos envolvendo recursos de servidores inativos da Prefeitura de Maceió e cobrado explicações sobre investimentos do Iprev no Banco Master. Na ocasião, ele afirmou que a aplicação poderia colocar em risco valores destinados a aposentados e pensionistas.
A fala mais recente eleva o caso a um novo patamar político. Rui não trata apenas da aplicação de R$ 117 milhões no Banco Master, mas de um conjunto de operações que, segundo ele, alcançariam R$ 168 milhões. A acusação envolve, portanto, não apenas a escolha da instituição financeira, mas também a forma como as decisões teriam sido tomadas, o tempo de deliberação, a composição dos órgãos responsáveis e os riscos assumidos com recursos previdenciários.
Por cautela jurídica, as afirmações de Rui devem ser tratadas como declarações políticas e denúncias públicas, ainda sujeitas à comprovação por documentos, perícias, auditorias e investigações oficiais. Até que haja conclusão dos órgãos competentes, não é possível afirmar responsabilidade individual definitiva de gestores, conselheiros ou agentes políticos.
O caso, entretanto, exige respostas. Se confirmadas as informações apresentadas pelo vereador, a velocidade da reunião, o volume de recursos envolvidos e a natureza previdenciária do dinheiro aplicam pressão sobre o Iprev, a Prefeitura de Maceió, órgãos de controle e autoridades de investigação.
No centro da polêmica estão servidores que contribuíram ao longo da vida para garantir aposentadorias e pensões. Para Rui Palmeira, o episódio não pode ser tratado como erro técnico isolado, mas como um caso de gestão temerária de dinheiro público previdenciário.
A defesa de JHC tem negado irregularidades e contestado publicações que associam o ex-prefeito diretamente a supostos ilícitos no caso. O Iprev, por sua vez, deve ser chamado a esclarecer os critérios técnicos das aplicações, a composição das reuniões, os pareceres apresentados, os responsáveis pelas decisões e as medidas adotadas para proteger os recursos dos aposentados e pensionistas.
Com a Polícia Federal avançando no Rio de Janeiro e com novas cobranças em Maceió, a pergunta feita por Rui Palmeira ganha peso político: depois do ex-governador fluminense, as investigações chegarão também aos responsáveis pelas aplicações do Iprev Maceió?
A conta de Rui
R$ 50 milhões
Valor que, segundo Rui Palmeira, teria sido aplicado em novas letras financeiras questionadas.
52 minutos
Tempo da reunião citado pelo vereador.
Quase R$ 1 milhão por minuto
A divisão de R$ 50 milhões por 52 minutos resulta em aproximadamente R$ 961 mil por minuto.
R$ 168 milhões
Total que, segundo Rui, teria sido perdido por Maceió em aplicações consideradas por ele malfadadas.
O que precisa ser esclarecido
Quem autorizou as aplicações?
É necessário identificar a cadeia decisória dentro do Iprev e eventuais participações externas.
Houve parecer técnico?
A sociedade precisa saber quais documentos embasaram as decisões.
O conselho aprovou regularmente?
A regularidade das deliberações deve ser comprovada.
Qual o risco real para aposentados e pensionistas?
O impacto financeiro precisa ser apresentado de forma transparente.
Há investigação formal em curso?
Órgãos de controle e autoridades policiais devem esclarecer o estágio das apurações.