Banco Master: operação da PF no Rio amplia pressão política sobre caso do Iprev em Maceió
Investigações envolvendo fundos previdenciários aplicados no Banco Master em diferentes estados elevam repercussão do caso em Alagoas; aplicação de recursos do Iprev segue sob apuração
A operação deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (26), no Rio de Janeiro, envolvendo investimentos do fundo previdenciário estadual em ativos ligados ao Banco Master, aumentou a repercussão política em torno de casos semelhantes registrados em outros estados, entre eles Alagoas.
Nos bastidores da política alagoana, aliados e adversários do ex-prefeito de Maceió, JHC (PSDB), passaram a comentar a possibilidade de avanço das investigações relacionadas à aplicação de recursos do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió (Iprev) no Banco Master. Até o momento, porém, não há qualquer confirmação oficial sobre eventual operação da Polícia Federal envolvendo o ex-prefeito ou integrantes de sua gestão.
O caso em Maceió envolve aplicações superiores a R$ 117 milhões realizadas pelo Iprev durante a administração municipal anterior.
O tema já foi alvo de questionamentos políticos, debates públicos e procedimentos de apuração por órgãos de controle e investigação. JHC, por sua vez, nunca foi condenado ou denunciado judicialmente em relação ao episódio e tem buscado, por meio da justiça, impedir que a imprensa o cite em relação ao assunto, em que pese diversas manifestações públicas, de políticos o envolvendo no caso. As mais recentes foram do ex-ministro Aldo Rebelo e do senador Renan Calheiros, colocando suspeitas na legalidade das operações financeiras realizadas durante sua gestão.
No Rio de Janeiro, a Polícia Federal apura aplicações bilionárias de recursos do Rioprevidência em fundos relacionados ao Banco Master. A operação integra mais uma fase da investigação denominada Compliance Zero e teve autorização do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O governador do Rio, Cláudio Castro, citado nas investigações, também nega irregularidades.
A repercussão nacional do tema aumentou ainda mais após informações sobre movimentações investigativas em outros estados, como São Paulo, envolvendo operações financeiras ligadas ao Banco Master e recursos públicos previdenciários.
Em Brasília, o senador Renan Calheiros anunciou que pretende apresentar proposta legislativa voltada à proteção e eventual ressarcimento de fundos previdenciários municipais e estaduais atingidos pela crise envolvendo o Banco Master.
Segundo interlocutores políticos, o objetivo seria criar mecanismos de proteção para institutos de previdência que mantêm aplicações na instituição financeira.
Especialistas ouvidos nos bastidores políticos avaliam que o avanço de investigações em diferentes estados tende a manter elevada a pressão sobre gestores públicos responsáveis por aplicações de recursos previdenciários, especialmente diante da sensibilidade do tema envolvendo aposentadorias e patrimônio de servidores públicos.