CRISE NO CLÃ BOLSONARO

Filme sobre Bolsonaro vira 'comédia de erros' e ameaça candidatura de Flávio, aponta Financial Times

Produção cinematográfica enfrenta polêmicas de financiamento e pode abalar planos eleitorais do filho do ex-presidente

Publicado em 25/05/2026 às 13:34
Filme sobre Bolsonaro vira 'comédia de erros' e ameaça candidatura de Flávio, aponta Financial Times Reprodução

O jornal britânico Financial Times publicou nesta segunda-feira, 25, uma reportagem em que destaca que o filme “Dark Horse” , inspirado na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), pode prejudicar a pré-candidatura presidencial de seu filho mais velho, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Segundo o periódico, a produção se transformou em uma espécie de "comédia de erros" antes mesmo da estreia, após vir à tona que Flávio buscou financiamento para o longa com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso e é alvo de investigações por fraude bilionária. Flávio aparece em áudios cobrando repasses de Vorcaro para a realização do filme.

Na análise do Financial Times , a controvérsia envolvida no financiamento do projeto levanta dúvidas sobre as previsões eleitorais de Flávio, "ungido" como sucessor político do pai após as notificações de Jair Bolsonaro a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe após as eleições de 2022.

“A revelação colocou o principal desafio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no centro de um amplo escândalo político que abalou Brasília, ameaçando a candidatura do senador de 45 anos nas eleições presidenciais de outubro”, afirma o jornal, acrescentando que Flávio buscará inspiração no pai para sua própria política de sobrevivência.

De acordo com informações do portal Intercept Brasil , R$ 61 milhões de um total de cerca de R$ 134 milhões acertados entre Flávio e Daniel Vorcaro para o filme foram enviados entre fevereiro e maio de 2025.

O Financial Times ressalta que o valor do financiamento supera com folga das produções brasileiras recentes de grande porte, como O Agente Secreto , que representou o Brasil na última edição do Oscar e custou cerca de R$ 27 milhões.

“Já os apoiadores da cinebiografia de Bolsonaro, dirigida pelo cineasta americano Cyrus Nowrasteh, argumentam que o valor não é elevado para os padrões de Hollywood”, destaca a publicação. O filme é descrito como uma “mistura de suspense e conspiração” que narra a ascensão do chamado “Trump dos Trópicos” ao poder em 2018.

O jornal britânico também lembra que a ligação com Vorcaro não é a primeira polêmica envolvida na produção, que já atacou denúncias a sindicatos sobre as condições de trabalho no conjunto de filmagem e o uso não autorizado de uma música da cantora Beyoncé.

Apesar do desgaste, aliados de Bolsonaro e de Flávio afirmaram à reportagem que “Dark Horse” , estrelado pelo ator americano Jim Caviezel no papel de Jair Bolsonaro, pode alcançar grande repercussão no Brasil e no exterior.

O ex-estrategista da Casa Branca, Steve Bannon, declarou ao jornal que pretende ajudar na divulgação do filme nos Estados Unidos e acredita que a participação de Caviezel, associado ao movimento conservador MAGA (Make America Great Again), pode aumentar o interesse pela obra.

"Se você está no Brasil e descobre que existe um filme sobre o seu ex-presidente, estrelado por uma grande estrela de Hollywood, esse tipo de coisa multiplica o alcance do investimento. É melhor do que fazer comerciais de 30 segundos na TV", afirmou Bannon.

Segundo uma versão do roteiro que veio a público, o filme traz temas religiosos voltados à base cristã conservadora dos Bolsonaro, mensagens anti-establishment, uma representação gráfica do atentado a faca sofrida por Jair Bolsonaro durante a campanha de 2018 e elementos ficcionais.