DEBATE SOBRE TECNOLOGIA E SOCIEDADE

Barroso afirma que redes sociais democratizaram debate, mas ampliaram desinformação

Ex-presidente do STF alerta para desafios trazidos pela revolução digital e necessidade de regulação da inteligência artificial.

Publicado em 23/05/2026 às 10:36
Luis Roberto Barroso Agência Brasil

O ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, afirmou que a revolução digital, impulsionada pelas redes sociais, democratizou o acesso ao debate público, mas também eliminou o filtro da imprensa profissional, abrindo "avenidas" para a desinformação e discursos de ódio.

"Agora cada tribo tem a sua narrativa, e, portanto, a gente não consegue mais trabalhar sobre fatos comuns. Isso é um problema grave que nós estamos vivendo", destacou Barroso durante participação em fórum da Esfera, realizado na sexta-feira, 22, no Guarujá, litoral de São Paulo.

Barroso ressaltou que, sem o filtro exercido anteriormente pelos meios de comunicação, qualquer informação pode alcançar o espaço público, o que resulta na "tribalização da vida" e em uma crise no modelo de negócio da imprensa tradicional.

Segundo o ex-ministro do STF, será necessário reeducar as pessoas para o uso das novas tecnologias. Ele defendeu ainda que a regulação da inteligência artificial seja feita da "melhor forma possível".

Barroso chamou atenção para as dificuldades de se regular juridicamente a inteligência artificial (IA), devido à velocidade das transformações tecnológicas. "O ChatGPT chegou a 100 milhões de usuários em dois meses. Portanto, a velocidade da transformação é um problema. E há uma assimetria de conhecimento entre reguladores e regulados", observou.