Marina Silva diz que definição sobre Senado em SP deve sair até início de junho
Ex-ministra do Meio Ambiente disputa vaga na chapa de Haddad e critica gestão Tarcísio em áreas como segurança e meio ambiente.
A pré-candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), afirmou nesta sexta-feira (22) que o campo progressista está empenhado em concluir a definição da chapa ao Senado no Estado. Marina disputa a indicação para a segunda vaga com o ex-ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB).
A indefinição tem causado desgaste entre partidos da base da pré-campanha do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), ao governo paulista. O próprio Haddad admitiu incômodo com a demora, em coletiva realizada na quinta-feira (21), em Osasco (SP). "Gostaria que já estivesse resolvido", declarou o petista.
Após participar de um painel no Fórum Esfera 2026, no Guarujá (SP), Marina ressaltou que a federação PSOL-Rede defende participação na chapa majoritária e afirmou que as negociações "já avançaram muito". Segundo ela, a expectativa é de definição até o fim deste mês ou, no máximo, início de junho — prazo semelhante ao indicado por Haddad.
"Nós estamos fazendo um esforço para concluir o trabalho", afirmou Marina. "Estamos em processo de discussão e esperamos que até o final deste mês, no máximo início do mês que vem, já tenhamos encaminhamentos em relação à segunda vaga para o Senado."
Marina destacou ainda que defendeu o nome de Teresa Vendramini (PDT), ex-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), para o cargo de vice de Haddad. No entanto, Teka, como é conhecida, optou por contribuir com o programa de governo, especialmente na área de agricultura. A definição da vaga, acrescentou, está sendo conduzida por Haddad em busca da melhor solução.
Durante a coletiva, Marina criticou a gestão do atual governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), apontando falhas em indicadores estaduais de segurança pública, educação, meio ambiente e assistência social.
"Não se governa um estado como São Paulo apenas privatizando, fazendo concessões e cobrando pedágio", afirmou. "A privatização da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) não resolveu um problema que já está posto há muito tempo."
Ela argumentou que a privatização da Sabesp não solucionou a crise hídrica em São Paulo, problema que, segundo a ex-ministra, já causou sofrimento à população em 2014, voltou a se agravar e tende a piorar com o El Niño deste ano.
Marina também citou feminicídios, violência contra mulheres e a população em situação de rua como exemplos de desafios que, em sua avaliação, precisam ser considerados na análise dos resultados da gestão estadual. "Quando você vê os dados sobre feminicídio, violência contra as mulheres, o estado de São Paulo está liderando esse ranking", destacou.
A ex-ministra celebrou ainda o resultado da pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou a liderança numérica no segundo turno e ampliou a distância no primeiro. "As pessoas estão entrando em contato com a realidade dos fatos, que está sendo trazida de forma tranquila, com investigação séria, assegurando o mais amplo direito de defesa, que é assim que deve acontecer numa democracia", avaliou.
Os repórteres viajaram a convite do Esfera Brasil.