Gilmar Mendes suspende julgamento no STF sobre prisão de Henrique Vorcaro e outros seis investigados
Ministro do STF pede vista e paralisa análise sobre manutenção da prisão preventiva dos envolvidos em suposto esquema de fraudes no Banco Master.
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes pediu vista nesta sexta-feira (22) e interrompeu o julgamento que analisava a manutenção da prisão preventiva de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, e de outros seis investigados no caso do Banco Master.
Henrique foi preso na quinta-feira (14), durante mais uma fase da Operação Compliance Zero, que apura um esquema de fraudes financeiras relacionadas ao banco. Os outros seis investigados também foram alvo da ação.
O caso é relatado pelo ministro André Mendonça, responsável por decretar a prisão preventiva do grupo. Em julgamento iniciado nesta sexta, Mendonça votou pela manutenção das detenções. Na sequência, Gilmar Mendes solicitou mais tempo para análise, interrompendo o julgamento.
Em seu voto, André Mendonça destacou “fortes indícios de que os indivíduos integram uma complexa estrutura para a prática de crimes com profunda repercussão negativa na sociedade”.
O relator afirmou ainda não existirem “outras medidas menos gravosas e ao mesmo tempo capazes de garantir a ordem pública, a aplicação da lei penal e o bom andamento da instrução criminal”.
Além de Mendonça e Gilmar Mendes, participam do julgamento os ministros Nunes Marques e Luiz Fux. O ministro Dias Toffoli também integra o colegiado, mas tem se declarado suspeito para julgar processos relacionados ao Banco Master.
Na mesma sessão, Mendonça votou pela manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro, acusado de articular as operações financeiras do esquema. O julgamento também foi suspenso por pedido de vista de Gilmar Mendes.
Segundo a investigação da Polícia Federal, Henrique Vorcaro seria responsável por custear as atividades dos demais investigados e figura como um dos beneficiários das ações.
Os seis investigados compõem núcleos identificados nos autos como “A Turma” e “Os Meninos”, grupos formados para obtenção de dados sigilosos e realização de ameaças a pessoas de interesse da organização.
“A Turma” seria composta por policiais federais na ativa e aposentados, além de operadores do jogo do bicho. Já “Os Meninos” reuniria membros com perfil hacker, responsáveis por invasões, derrubada de perfis, monitoramento ilegal e possível destruição ou ocultação de evidências digitais.
De acordo com o inquérito, o “braço tecnológico da organização criminosa investigada viabilizava, no plano digital, aquilo que ‘A Turma’ fazia presencialmente: neutralizar, intimidar, constranger ou vigiar alvos de interesse do grupo”.