POLÍTICA

Andrei Roman afirma que ataques a pesquisas refletem resistência em aceitar dados sobre Flávio Bolsonaro

CEO da AtlasIntel diz que bolsonaristas preferem desacreditar levantamento a enfrentar impacto negativo do áudio envolvendo Flávio e Vorcaro.

Publicado em 22/05/2026 às 17:49
Andrei Roman Reprodução / Instagram

O CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, afirmou nesta sexta-feira (22) que o áudio em que Flávio Bolsonaro (PL) pede dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, não influenciou o resultado da pesquisa presidencial divulgada pelo instituto nesta semana. Segundo Roman, o grupo bolsonarista optou por questionar a credibilidade do levantamento em vez de encarar os dados apresentados.

De acordo com a pesquisa, as intenções de voto em Flávio caíram 5,4 pontos percentuais no primeiro turno e seis pontos em um eventual segundo turno. Com a queda, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) passou a liderar a disputa contra Flávio no segundo turno e ampliou sua vantagem no primeiro. Após a divulgação dos resultados, o cientista político foi alvo de críticas de apoiadores de Bolsonaro nas redes sociais.

Na semana passada, vieram a público conversas entre o senador e o empresário Daniel Vorcaro, nas quais Flávio solicitou recursos para a produção de um filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, seu pai.

Roman explicou que, diante da repercussão do áudio, a AtlasIntel realizou uma coleta complementar para medir se trechos específicos da gravação poderiam alterar a percepção dos eleitores sobre Flávio Bolsonaro. A pesquisa avaliou o impacto de elementos como menções a Deus, o pedido de ajuda para um projeto ligado ao pai e o tratamento de Flávio a Vorcaro, a quem chamou de "irmão" e "irmãozinho".

"Foi uma coleta complementar à pesquisa principal e, portanto, não houve nenhum tipo de contágio sobre o cenário, sobre os resultados que a gente mediu", afirmou o CEO durante painel do Fórum Esfera 2026, em Guarujá (SP).

Segundo Roman, a AtlasIntel utilizou a ferramenta Atlas VRC, normalmente aplicada para medir o impacto de propagandas comerciais sobre audiências. O recurso também é usado, em alguns casos, para analisar debates políticos, lives e entrevistas, identificando quais elementos do discurso despertam reações mais positivas ou negativas nos eleitores em tempo real.

"Existe uma resistência dentro do bolsonarismo hoje de entender que, de fato, esse foi um episódio muito negativo e tem um impacto", disse Roman, ressaltando que episódios assim são comuns em cenários eleitorais polarizados como o brasileiro. "O mais fácil, então, é buscar tirar um pouco da credibilidade da pesquisa do que encarar uma realidade política."

Os repórteres viajaram a convite do Esfera Brasil.