Escrita afetuosa feminina é tema da 1ª roda de conversa do Senado em 2026
Evento na Biblioteca do Senado destaca obra coletiva de autoras brasileiras e debate impacto da escrita sensível
Visões complementares de inúmeras vidas femininas reunidas em uma única publicação foram o foco da primeira roda de leitura promovida pela Biblioteca do Senado em 2026.
O encontro teve como tema o livro Gradiente – histórias de escrita afetuosa , que reúne crônicas, poemas e contos de 22 autores de diferentes regiões do país.
A roda de conversa contou com a presença de duas das autoras: as jornalistas Paola Lima , atual diretora da Agência Senado, com mais de 15 anos de atuação na instituição, e Isabel Guedes , profissional das áreas de comunicação institucional e publicidade.
A obra destaca narrativas femininas diversas, apresentando múltiplas perspectivas sobre vivências, sentimentos e formas de estar no mundo, valorizando experiências muitas vezes invisibilizadas. Assim, propõe reflexões sobre identidade, relações e o papel da mulher na sociedade contemporânea.
A chamada escrita afetuosa enfatiza a escuta, a sensibilidade e a expressão baseada na experiência pessoal. O estilo convida a trazer a verdade para o texto, tornando a leitura semelhante a uma conversa íntima ou até mesmo a um abraço. Em vez de palavras distantes ou puramente informativas, o objetivo é transmitir sentimentos de forma a envolver e emocionar o leitor.
— É uma experiência de sororidade. A escrita afetuosa alcança a alma do outro — afirmou a biblioteconomista Maria Helena Freitas .
Paola Lima ressaltou que a obra reúne mulheres de diferentes perfis e regiões do Brasil. Para ela, o termo gradiente no título simboliza a gradação de tons de intimidade e profundidade presentes nos textos.
Já Isabel Guedes relatou que a escrita afetuosa possui camadas mais profundas e específicas que ocorrem geralmente na literatura, sem apego a técnicas específicas, mas com foco intenso nos sentimentos.
O debate teve participação majoritária de mulheres, mas também contou com a intervenção do servidor Rogério Bernardes , que questionou:
— Como ficam os homens diante da escrita afetuosa feita por mulheres?
Segundo Bernardes, os homens estão habituados à escrita produzida por outros homens, e seria enriquecedor que buscassem maior contato com a literatura feminina, mesmo diante de certa resistência inicial a esse universo mais sensível.
O servidor Daniela Mendes agradeceu a presença de todos e anunciou a intenção de promover novos encontros nesse formato, ao menos uma vez por mês.