POLÍTICA / CÂMARA DE MACEIÓ

Teca Nelma ironiza título a Flávio Bolsonaro e sugere que JHC o homenageie como “cidadão Master”

Vereadora fez trocadilho durante crítica à concessão da honraria em Maceió e associou o senador ao caso envolvendo Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e à polêmica do financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro

Por Redação Publicado em 21/05/2026 às 11:34
Teca Nelma: JHC deveria entregar título a Boldonaro de "Cidadão Master"

A vereadora Teca Nelma voltou a criticar, em tom irônico, a entrega do título de cidadão honorário de Maceió ao senador Flávio Bolsonaro. Durante pronunciamento, a parlamentar fez um trocadilho com o nome do Banco Master e sugeriu que o ex-prefeito JHC fosse convidado para entregar ao pré-candidato à Presidência um novo título: o de “cidadão Master”.

A fala foi construída como uma crítica política à homenagem concedida ao senador e aos acontecimentos recentes envolvendo Flávio Bolsonaro, Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e a negociação de recursos para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

“Eu acho, Maria dos Charmos, que a gente podia pedir ao ex-prefeito JHC para ele entregar um novo título a Flávio Bolsonaro, que é o título de cidadão Master”, afirmou Teca Nelma.

A vereadora disse que a nova “homenagem” combinaria melhor com os episódios que passaram a ocupar o noticiário nacional nos últimos dias. A ironia faz referência ao caso revelado pela imprensa sobre contatos entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiamento de uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Segundo reportagens internacionais, o senador admitiu ter buscado apoio financeiro privado para o filme, embora tenha negado irregularidades. A Reuters informou que o valor discutido teria sido de cerca de US$ 24 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões, e que Vorcaro era ligado ao então Banco Master, instituição posteriormente liquidada em meio a investigações de fraude.

No discurso, Teca Nelma também mencionou o episódio em que Flávio Bolsonaro foi questionado por um jornalista sobre a relação entre os áudios divulgados e o financiamento do filme. Segundo a vereadora, o parlamentar teria reagido chamando o profissional de “militante”, antes de novas informações virem à tona.

“Foi questionado por um jornalista, que foi chamado de militante pelo Flávio Bolsonaro, sobre a ligação que tinha entre o áudio e o financiamento do filme do pai. E ele disse que era mentira, que era militante, e aí vão saindo outras verdades posteriormente”, declarou.

A parlamentar também citou o áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, no qual ele teria feito cobrança relacionada ao projeto cinematográfico. Reportagem do UOL, com base nas revelações sobre o caso, publicou trecho de áudio no qual o senador fala sobre parcelas atrasadas e a tensão em torno do filme.

A crítica de Teca ganhou força pelo contraste com uma frase usada por Flávio Bolsonaro em ato político recente. Dias antes da divulgação das informações sobre sua relação com Vorcaro, o senador apareceu com uma camiseta com os dizeres: “O Pix é do Bolsonaro, o Master é do Lula”. A frase foi registrada por veículos de imprensa e passou a ser explorada politicamente após a revelação dos contatos do senador com o banqueiro.

“Flávio Bolsonaro andava com a camisa: ‘Pix é do Bolsonaro e Master é do Lula’. Mas quem estava pedindo dinheiro ao Banco Master foi Flávio Bolsonaro”, ironizou Teca.

A vereadora também comentou a informação de que Flávio Bolsonaro teria se encontrado com Daniel Vorcaro depois da prisão do banqueiro. Segundo a Reuters, o senador confirmou ter se reunido com Vorcaro após a prisão e afirmou que o encontro teria ocorrido para encerrar as tratativas de investimento no filme, negando qualquer irregularidade.

Para Teca Nelma, o caso tem contornos “cômicos e trágicos” diante da realidade política brasileira. Ela classificou a situação como um retrato das contradições do debate público nacional, especialmente pelo uso político do escândalo do Banco Master e pelas tentativas de atribuir responsabilidades a adversários.

“Ele dá uma entrevista dizendo que, mesmo depois da prisão, porque ele dizia antes que não sabia do que estava acontecendo, que a prisão estava em sigilo, depois da prisão, ele vai lá e se encontra. O filme é cômico e trágico, o que acontece hoje na realidade brasileira”, afirmou.

A fala da vereadora também teve como pano de fundo a política local. Ao sugerir que JHC entregasse o suposto título de “cidadão Master”, Teca fez uma associação indireta entre o ex-prefeito de Maceió, Flávio Bolsonaro e as discussões envolvendo aplicações do Iprev de Maceió em papéis ligados ao Banco Master, tema que tem gerado desgaste político em Alagoas e repercussão no debate eleitoral.

O título de cidadão honorário a Flávio Bolsonaro foi aprovado pela Câmara Municipal de Maceió em março. À época, a própria Teca Nelma já havia questionado publicamente os motivos da homenagem, afirmando que a honraria deveria ser destinada a pessoas com contribuição efetiva para a capital alagoana. A proposta foi apresentada pelo vereador Leonardo Dias e teve votos contrários de Teca Nelma e Charles Herbert.

Com a nova declaração, a vereadora ampliou a crítica e transformou a homenagem em munição política, usando o trocadilho “cidadão Master” para vincular a agenda nacional do senador às polêmicas envolvendo o banco e seus desdobramentos em Alagoas.