Polícia Federal rejeita delação premiada do banqueiro Daniel Vorcaro
Proposta de colaboração foi considerada insuficiente; PGR ainda avalia possibilidade de acordo
A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quarta-feira (20) que rejeitou a proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master.
Segundo a corporação, as informações fornecidas por Vorcaro não trouxeram novidades relevantes e, por isso, não justificam a assinatura de um acordo de colaboração.
Apesar da decisão da PF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) ainda não se manifestou oficialmente sobre o tema. A equipe do procurador-geral Paulo Gonet está disponível para solicitar complementos à proposta, buscando elementos que possam viabilizar o acordo.
Diante da negativa da PF, a defesa de Vorcaro deve negociar diretamente com a PGR para tentar avançar nas tratativas.
Daniel Vorcaro foi preso no início de março por ordem do ministro André Mendonça, do STF, e iniciou negociações para um acordo de delação em 19 de março. Após cerca de 45 dias, a defesa apresentou uma proposta de colaboração ao pesquisador.
De acordo com informações do jornal Estadão, o pesquisador adotou critérios rigorosos para avaliar a delação, exigindo provas inéditas além do material já apreendido no celular do banqueiro.
No entanto, tanto a PF quanto a PGR consideraram a proposta insuficiente. A avaliação foi de que Vorcaro teria feito uma delação seletiva e omitida informações sobre pessoas relevantes para as investigações.
Após a entrega da proposta, a PF deflagrou duas novas fases da Operação Compliance Zero, aumentando a pressão sobre o banqueiro. Uma dessas fases mirou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de receber pagamentos monetários do Banco Master — o senador negou as acusações. Na outra ação, o pai de Daniel, Henrique Vorcaro, foi preso na semana passada, suspeito de envolvimento com um grupo de milícia treinado para atacar adversários do banqueiro.