ELEIÇÕES

Flávio Bolsonaro troca marqueteiro da pré-campanha à Presidência após crise com caso Vorcaro

Publicado em 20/05/2026 às 22:15
Flávio Bolsonaro Reprodução / Agência Brasil

O coordenador de comunicação da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República, Marcello Lopes, deixou a carga nesta quarta-feira, 20. O publicitário Eduardo Fischer assumiu o posto.

A decisão foi tomada na esteira da crise provocada pela reportagem do site Intercept Brasil, que revelou uma negociação entre Flávio e Daniel Vorcaro, dono do banco Master, de R$ 134 milhões para um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Marcelão, como é conhecido, deveria assumir oficialmente a comunicação da pré-campanha em junho. Ele já integrou a equipe, mas foi definido como o responsável pela comunicação da campanha no dia 12 de maio.

Em nota, a equipe de Flávio afirmou que Marcelão esteve com Flávio durante esta tarde, quando teria comunicado que não poderia mais colaborar com a equipe. A saída foi feita em comum acordo, segundo eles.

"O publicitário, que é amigo pessoal do parlamentar, decidiu, neste momento, focar na própria empresa e priorizar os seus negócios. Lopes volta para os Estados Unidos para cumprir agenda familiar", diz o comunicado.

Marcelão veio sendo criticado por aliados de Flávio e integrantes do PL por causa da condução da resposta do senador à crise, desde a divulgação do vídeo em que o senador tenta se explicar sobre a relação com Vorcaro, divulgada no mesmo dia da denúncia, até as demais entrevistas em que foi acuado por jornalistas.

Integrantes da campanha dizem que "outras frustrações" ocorreram à saída de Marcelão, "mas não tem relação com o caso Vorcaro". A viagem que ele fez aos Estados Unidos na esteira da crise irritou membros do PL. Ele voltou nesta quarta-feira e foi ao encontro de Flávio, que está em São Paulo para agendas com o empresário.

"Fischer tem muita experiência na área de criação, estratégia. Esperamos que seja alguém com condição de dar uma roupagem, uma condição adequada para que nosso candidato seja visualizado e entendido pelo eleitorado brasileiro, já que ele precisa ser cada vez mais conhecido", afirmou o coordenador da pré-campanha, o senador Rogério Marinho (PL-RN).

Marinho chamou Fischer de "o publicitário hoje mais premiado do Brasil" e disse que "procurava há algum tempo alguém que entenda o tamanho e a envergadura do que vem pela frente, que faça uma campanha profissional". Ele disse esperar que a comunicação da presidência seja melhor daqui em diante.

O escândalo tem causado estrago na confiança de Flávio. Uma pesquisa Atlas/Intel divulgada nesta semana mostra que o senador perdeu seis pontos percentuais desde a divulgação da reportagem.

Questionado sobre a negociação com um banqueiro envolvido na maior fraude fiscal do País, Flávio respondeu que se tratou de um pedido de financiamento privado para um filme privado. Mas o alto valor recomendado, de R$ 134 milhões, levantou questionamentos inclusive de aliados. Desse montante, R$ 61 milhões foram pagos.

Isso porque o dinheiro foi transferido pela Entre Investimentos e Participações (que atuava em parceria com empresas de Vorcaro) para o fundo Havengate Development Fund LP (sediado no Texas), de um advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro, irmão do senador.

A Polícia Federal investiga agora se o dinheiro do Mestre teve como destino o custódio de Eduardo nos Estados Unidos.

Fabio Wajngarten fala em sabotagem

Ex-chefe da Secretaria de Comunicação da Presidência no governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten disse que Marcelão “foi sabotado pela política” e afirmou que foi decisão do marqueteiro deixar a carga. Wajngarten ainda disse que os nomes especulados não serviriam para a campanha e que trabalhariam para que Marcello Lopes permanecesse na campanha.

"Eu não tolero injustiças: o Marcelão é ótimo, alma boa. Foi sabotado pela política. Ele não caiu, pediu para sair. A política não entende nada de comunicação e nem deveria se meter. Ele é uma pessoa certa para a função. Ele é calmo e agregador e possui a confiança e amizade do Flávio", disse Wajngarten na rede social X, complementando:

"Estou tentando fazer o Marcelão reconsiderar e, caso não tenha sucesso, vou sugerir alguém da confiança do Marcelo, que já teve contato com o grupo até o momento. Os nomes que pipocam como candidatos a assumir a tarefa NÃO intencional. Meu celular derreteu nesse momento para que nenhum desses nomes seja considerado considerado", disse o ex-secretário de Bolsonaro