Aldo Rebelo diz que circula dossiê sobre negócios da família Caldas na Prefeitura de Maceió
Ex-ministro afirma que o escândalo do Banco Master já está sendo usado nas eleições de Alagoas e que documentos sobre negócios ligados à família Caldas circulam nos bastidores de Brasília e do Estado
A declaração do ex-ministro Aldo Rebelo sobre a crise interna no Democracia Cristã abriu uma nova frente de desgaste para o grupo político do ex-prefeito de Maceió, JHC, e de seu pai, o presidente nacional do DC, João Caldas. Além de relacionar a substituição de sua pré-candidatura presidencial por Joaquim Barbosa ao caso Banco Master, Aldo afirmou que estaria em circulação um dossiê sobre “os negócios da família Caldas na Prefeitura de Maceió”.
A fala foi feita em meio à reação de Aldo Rebelo contra a movimentação conduzida por João Caldas dentro do Democracia Cristã. O ex-ministro disse que o escândalo envolvendo o Banco Master em Maceió já estaria sendo usado pela oposição nas eleições de Alagoas e que documentos ou informações sobre a família Caldas circulariam nos bastidores políticos.
“A oposição já está usando esse escândalo nas eleições de Alagoas e circula o dossiê dos negócios da família Caldas na Prefeitura de Maceió”, afirmou Aldo Rebelo.
A declaração é politicamente forte porque desloca o debate da crise interna do DC para a gestão de JHC na Prefeitura de Maceió. Aldo não detalhou o conteúdo do suposto dossiê, nem apresentou publicamente documentos que comprovem as informações mencionadas. Por isso, a fala deve ser tratada como acusação política feita pelo ex-ministro no contexto de uma disputa partidária e eleitoral.
O ponto central da fala é a expressão usada por Aldo: “negócios da família Caldas na Prefeitura de Maceió”. Ao citar esse suposto dossiê, o ex-ministro sugere que haveria material político sendo explorado por adversários para atingir JHC e João Caldas no momento em que o caso Banco Master ganha repercussão em Alagoas.
A referência ocorre no mesmo contexto em que Aldo afirmou que João Caldas estaria “muito nervoso” com a investigação sobre o Banco Master. O caso envolve o aporte milionário feito pelo Instituto de Previdência dos Servidores de Maceió, o Iprev, em títulos da instituição financeira durante a gestão de JHC. Para Aldo, a repercussão desse episódio já teria ultrapassado o campo financeiro e entrado de vez na disputa eleitoral.
A fala também aumenta a pressão sobre João Caldas. Como presidente nacional do Democracia Cristã, ele foi o responsável pela articulação que enfraqueceu a pré-candidatura de Aldo Rebelo e abriu espaço para o nome de Joaquim Barbosa na corrida presidencial. Agora, Aldo tenta mostrar que essa movimentação não teria sido apenas uma decisão eleitoral, mas também reflexo de preocupações políticas ligadas ao caso Banco Master e ao desgaste da família Caldas em Alagoas.
Ao mencionar o suposto dossiê, Aldo não afirma apenas que adversários estariam usando o escândalo nas eleições. Ele aponta que a família Caldas teria se tornado alvo de uma ofensiva política mais ampla, alimentada por informações sobre a passagem de JHC pela Prefeitura de Maceió e por negócios atribuídos ao grupo familiar na administração municipal.
A Tribuna do Sertão não teve acesso ao conteúdo do suposto dossiê citado por Aldo Rebelo. Também não há, até o momento, decisão judicial definitiva apontando irregularidade de João Caldas, JHC ou integrantes da família Caldas relacionada à declaração feita pelo ex-ministro. O espaço permanece aberto para manifestação dos citados.
Ainda assim, a fala tem peso político. Ao citar a existência de um dossiê sobre os negócios da família Caldas na Prefeitura de Maceió, Aldo Rebelo transforma a crise do DC em mais um capítulo da disputa eleitoral em Alagoas. O caso Banco Master, que já vinha provocando desgaste pela aplicação de recursos previdenciários no banco, passa agora a ser associado também aos bastidores da sucessão estadual e à tentativa de controle de danos dentro do próprio partido comandado por João Caldas.
A segunda suíte da crise, portanto, não está mais apenas na rasteira sofrida por Aldo dentro do DC. Está na acusação de que o escândalo do Banco Master teria aberto uma sangria política difícil de conter — e que, segundo o próprio Aldo, já estaria abastecendo dossiês, discursos de oposição e articulações de bastidores contra a família Caldas.