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Rui Palmeira diz que “cerco está fechando” e cobra PF em Maceió para investigar Iprev

Vereador voltou a relacionar as aplicações do Iprev Maceió no Banco Master e no fundo Nest Eagle às investigações nacionais sobre recursos de previdências municipais; ele cobra apuração sobre responsabilidades de gestores da Prefeitura

Por Redação Publicado em 14/05/2026 às 08:01
Rui Palmeira diz que “cerco está fechando” e cobra PF em Maceió para investigar Iprev Reprodução

O vereador Rui Palmeira voltou a subir o tom contra a Prefeitura de Maceió e contra os gestores envolvidos nas aplicações financeiras do Instituto de Previdência dos Servidores do Município de Maceió, o Iprev. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o ex-prefeito afirmou que “o cerco está fechando” e defendeu que a Polícia Federal avance até a capital alagoana para investigar o que chamou de “mistérios” envolvendo os investimentos do instituto.

A nova declaração de Rui ocorre após a Polícia Federal deflagrar, nesta quarta-feira, 13, a Operação Off-Balance, em São Paulo, para investigar possíveis irregularidades na aplicação de recursos do Instituto de Previdência Social dos Servidores de Cajamar. Segundo a PF, a apuração envolve cerca de R$ 107 milhões aplicados em quatro letras financeiras emitidas por dois bancos privados. A operação apura possível gestão temerária de recursos de Regime Próprio de Previdência Social.

No vídeo, Rui citou o caso de Cajamar e afirmou que a situação reforça a necessidade de apuração sobre Maceió.

“O cerco está fechando. Pessoal, eu estou lendo aqui que a Polícia Federal bateu às portas de mais um instituto de previdência que perdeu dinheiro dos aposentados nas letras podres do Banco Master. Foi a cidade de Cajamar, interior de São Paulo, que perdeu R$ 87 milhões”, declarou.

Rui também afirmou que Maceió teria sido a cidade brasileira que mais perdeu dinheiro com o que ele classificou como “esquema criminoso do Banco Master”. A fala se insere em uma ofensiva política e jurídica que o vereador vem fazendo desde o ano passado, quando levou ao Ministério Público de Alagoas denúncias sobre aplicações consideradas de alto risco com recursos previdenciários do Iprev.

De acordo com informações já divulgadas sobre a representação apresentada por Rui, o Iprev Maceió teria aplicado R$ 168,5 milhões em duas operações questionadas: R$ 117,9 milhões em letras financeiras do Banco Master e R$ 51,48 milhões em cotas do fundo imobiliário Nest Eagle. As operações foram apontadas pelo vereador como aplicações sem cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e potencialmente arriscadas para aposentados e pensionistas do município.

A novidade, segundo Rui, é que a Polícia Federal também estaria avançando sobre operações relacionadas ao Banco Daycoval. O vereador afirmou que a Prefeitura de Maceió também colocou recursos em um fundo vinculado à instituição.

“E agora temos uma novidade. A Polícia Federal passa a investigar também as letras financeiras do Banco Daycoval. E adivinha? A Prefeitura de Maceió também colocou dinheiro nesse esquema: R$ 50 milhões investidos em um fundo chamado Nest Eagle, que é vinculado ao Banco Daycoval”, disse Rui.

Reportagem do Metrópoles já havia apontado que o fundo Nest Eagle FII foi apresentado ao Iprev Maceió em reunião do Comitê de Investimentos e que seria administrado pelo Banco Daycoval. A mesma reportagem informou que a consultoria Crédito e Mercado, que assessorou o Iprev Maceió, também está no radar da Polícia Federal por sua atuação em aplicações milionárias de institutos de previdência no Banco Master.

Para Rui Palmeira, o avanço das investigações em outros estados aumenta a pressão sobre Maceió. Ele defende que a PF investigue se houve falha de governança, gestão temerária, direcionamento de aplicações ou eventual responsabilidade de agentes públicos e privados na decisão de aplicar dinheiro da previdência municipal em ativos questionados.

“A gente espera que a Polícia Federal possa chegar o mais rápido possível aqui em Maceió para efetivamente desvendar os mistérios que assolam o Iprev Maceió”, afirmou.

O caso tem forte impacto político porque envolve recursos previdenciários de servidores municipais, aposentados e pensionistas. Na prática, Rui tenta nacionalizar a denúncia contra a gestão da Prefeitura de Maceió ao associar os investimentos do Iprev ao conjunto de apurações que vêm atingindo institutos de previdência em outras partes do país.

Em manifestações anteriores, Rui já havia acusado a gestão municipal de colocar em risco o futuro de aposentados e pensionistas ao realizar aplicações que, segundo ele, não observariam critérios mínimos de segurança, liquidez e prudência. Na representação ao Ministério Público, o vereador também sustentou que os investimentos poderiam contrariar normas do Conselho Monetário Nacional, princípios da administração pública e regras de responsabilidade fiscal.

Do outro lado, o Iprev Maceió já afirmou, em manifestação anterior registrada pela imprensa, que o instituto alcançou a marca de R$ 1,4 bilhão em patrimônio e que os investimentos em títulos do Banco Master representariam menos de 10% do total. A explicação, no entanto, não encerrou a controvérsia política nem afastou os questionamentos sobre o grau de risco das aplicações.

A pressão agora se desloca para os órgãos de investigação e controle. Com operações da Polícia Federal mirando aplicações de previdências públicas em outros estados, Rui Palmeira tenta recolocar Maceió no centro do debate e cobra que a capital alagoana também seja alcançada pelas apurações.

A fala do vereador aumenta o desgaste da Prefeitura em um tema sensível: a proteção do dinheiro de quem depende da previdência municipal. Para Rui, não se trata apenas de uma disputa política, mas de uma investigação necessária para saber quem autorizou, quem recomendou, quem se beneficiou e quem deverá responder por eventuais prejuízos aos cofres do Iprev.

A Prefeitura de Maceió, o Iprev e os demais citados podem se manifestar sobre as declarações do vereador. O espaço permanece aberto para contraponto.