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Enfermagem pressiona Câmara por aprovação da jornada de 36 horas semanais

Profissionais afirmam que homenagens não bastam e pedem garantia do piso salarial vinculado à jornada de 36 horas

Publicado em 13/05/2026 às 19:02
Profissionais da enfermagem cobram aprovação da jornada de 36 horas e garantia do piso salarial na Câmara. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

Representantes da enfermagem e parlamentares transformaram a sessão solene em homenagem ao Dia Internacional da Enfermagem, realizada nesta quarta-feira (13) na Câmara dos Deputados, em um ato de cobrança política. O centro do debate foi a exigência de que o Senado Federal paute e aprove a Proposta de Emenda à Constituição 19/24, que determina a jornada de trabalho de 36 horas semanais para a categoria e assegura a aplicação plena do piso salarial.

O deputado Bruno Farias (Republicanos-MG), autor do requerimento para a sessão, destacou o cenário de exaustão e falta de reconhecimento efetivo enfrentado pelos profissionais.

“Não há o que comemorar. A enfermagem pede socorro porque não aguenta mais sofrer. Temos R$ 11 bilhões aprovados para o piso e estão sendo usados apenas R$ 8 bilhões. O recurso existe, falta sensibilidade política”, afirmou o parlamentar.

Impacto da jornada e do piso

A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA), também autora do pedido para realização da sessão, denunciou manobras que estariam reduzindo o valor nominal do piso salarial por meio da aplicação de jornadas de 44 horas semanais. Segundo ela, a aprovação da PEC 19/24 é essencial para garantir dignidade salarial e impedir que gratificações sejam incorporadas para mascarar o não pagamento do valor base.

“O piso é lei e precisa ser cumprido. Inventaram o denominador de 44 horas para diminuir o valor do piso. Isso é uma fraude”, declarou Alice Portugal. A deputada ressaltou ainda a importância da mobilização junto ao Senado para que a proposta seja votada rapidamente em regime especial.

Ministério da Saúde

Representando o Ministério da Saúde, o secretário de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Felipe Proenço, apresentou dados sobre a demografia da enfermagem no Brasil. Segundo ele, a categoria representa 70% da força de trabalho da saúde no país, sendo composta em 87% por mulheres.

Proenço destacou ainda ações do ministério para apoiar os profissionais:

  • Investimento em 17 mil bolsas de residência, sendo 6 mil destinadas a enfermeiros;
  • Programa de formação e especialização técnica de auxiliares e técnicos de enfermagem;
  • Monitoramento dos repasses para garantir que o recurso do piso chegue aos mais de 750 mil trabalhadores que dependem da complementação federal.

Sobrecarga

A conselheira federal do Cofen, Helen Márcia Perez, reforçou que a enfermagem move a saúde do Brasil, mas enfrenta violência e sobrecarga.

“Valorizar a enfermagem significa garantir descanso digno e enfrentar a exaustão permanente. Quem move a saúde move o país, e merece mais do que aplausos”, pontuou.

A presidente da Federação Nacional dos Enfermeiros (FNE), Solange Caetano, lembrou que, além do piso, é urgente o cumprimento da lei do descanso para profissionais em instituições públicas e privadas.

Também participaram da sessão a senadora e enfermeira Roberta Acioly (Republicanos-RR), os deputados Jorge Solla (PT-BA), Zé Neto (PT-BA) e Erika Kokay (PT-DF), além de representantes da Associação Brasileira de Enfermagem (ABEn) e dos conselhos regionais.