Formação profissional e inteligência artificial dominam debate em frente parlamentar
Audiência pública discute inovação, desafios e estratégias para o fortalecimento da educação técnica no Brasil
A Frente Parlamentar em Favor da Educação Profissional e Tecnológica (FPEpTec) realizou, nesta quarta-feira (13), a terceira audiência pública para debater o tema “Inovação, tecnologias emergentes e estratégia nacional para a Educação Profissional e Tecnológica”. Especialistas convidados apresentaram propostas para aprimorar o processo de aprendizagem em cursos e empresas, além de apontar desafios para superar a defasagem de profissionais qualificados no mercado brasileiro.
Na abertura, o presidente da frente, senador Astronauta Marcos Pontes (PL-SP), ressaltou que esta foi a última reunião da série de debates. Segundo o parlamentar, as contribuições serão reunidas em um relatório, acompanhado de um plano de ação detalhado, que servirá de base para futuras propostas legislativas e políticas públicas voltadas ao fortalecimento da educação profissional e tecnológica no país.
— Um objetivo dessas reuniões é que a gente tenha ao final um relatório que não só sumarize o que foi apresentado, mas também traga de forma estruturada um plano de ação mais detalhado. Precisamos de ações realmente efetivas em todos os pontos de vista — destacou o senador.
Paulo Sérgio Sgobbi, diretor de Relações Institucionais e Governamentais da Brasscom (Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais do Brasil), informou que o setor de tecnologia da informação e comunicação movimentou quase R$ 1 trilhão em 2025. São 962 mil empresas no país, empregando 2,1 milhões de trabalhadores, com crescimento nominal de 15%.
— É um fenômeno que gera oportunidades imensas para a educação profissional, para os jovens e para sua trajetória de vida. Em 2024, a participação do setor no PIB era de 6,5%, e este ano subiu para 7,2% — relatou Sgobbi.
Ele acrescentou que a projeção para 2026 é de 33 mil novos empregos formais, ressaltando que o setor paga, em média, o dobro do salário nacional. Sgobbi alertou, no entanto, para a defasagem dos cursos técnicos e profissionalizantes, as dificuldades de aprendizagem e a necessidade de melhor integração dos jovens nas empresas, não apenas em áreas administrativas, mas também na produção.
Marilza Machado Gomes Regattieri, especialista em Desenvolvimento Industrial do SENAI, destacou a importância da aprendizagem profissional como ferramenta estratégica para as empresas, permitindo o desenvolvimento de competências no trabalho e o acesso dos jovens ao emprego formal.
— É preciso dar sentido à presença dos jovens nas empresas, não apenas para cumprir cotas, mas como forma de construir e identificar talentos, viabilizar inovação e oxigenar o processo produtivo — pontuou Marilza.
Claudio Makarovsky, professor convidado da Fundação Dom Cabral e UnIBP, alertou para o risco de queda de produtividade e perda do bônus demográfico, caso o país não aproveite a força de trabalho jovem.
— Hoje, jovens sustentam uma massa de inativos e aposentados, o que não leva o Brasil à riqueza. Perdemos o bônus demográfico que outros países souberam aproveitar — afirmou Makarovsky, citando exemplos de programas de sucesso na formação profissional de jovens.
Bruno Jorge, especialista em Inteligência Artificial e Inovação da ABDI, destacou o papel central da IA no setor, impulsionando empresas, escolas e universidades a repensarem seus papéis. Ele ressaltou a demanda crescente por novos perfis profissionais, como agentes de IA, e as possibilidades de jornadas de ensino personalizadas.
Antônio Henrique Borges Paula, diretor de Relações Institucionais do SENAC Nacional, abordou cinco pontos essenciais durante o debate: atualização do portfólio, ampliação da oferta de cursos, incentivo ao empreendedorismo, aprendizagem e divulgação de oportunidades para os jovens.