Comissão discute acesso a medicamentos estratégicos no SUS e preços praticados no mercado
Audiência pública vai analisar impacto das patentes e da regulação de preços sobre o orçamento da assistência farmacêutica
A Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados realiza, nesta quinta-feira (14), uma audiência pública para discutir o acesso a medicamentos estratégicos no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco especial nas doenças endêmicas — aquelas que acometem com frequência determinadas regiões ou populações.
O debate está marcado para as 10 horas, no plenário 7.
A audiência foi solicitada pelo deputado Jorge Solla (PT-BA). Segundo o parlamentar, os altos preços de alguns medicamentos dificultam o acesso da população aos tratamentos e elevam os custos do SUS.
De acordo com Solla, a metodologia adotada pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para definição de preços pode resultar em valores mais altos no Brasil, já que o cálculo leva em conta preços praticados em países de alta renda.
O deputado destaca ainda que o orçamento destinado à assistência farmacêutica e aos insumos estratégicos saltou de R$ 1,4 bilhão em 2004 para R$ 21,9 bilhões em 2024.
“O caso recente do dolutegravir (DTG), antirretroviral mais utilizado atualmente no Brasil, ilustra de forma contundente o problema. Um estudo apontou que, entre 2017 e 2023, os preços pagos pelo Brasil foram muito superiores aos valores de referência internacional. Em 2023, o preço de genéricos internacionais era quase 12 vezes menor do que o praticado no país”, exemplifica Solla.
Segundo ele, apesar da entrada de versões genéricas nacionais, barreiras de patente têm limitado a concorrência e restringido as aquisições junto a laboratórios públicos.