Fachin pede resiliência de juízes diante de ataques ao Judiciário
Presidente do STF defende postura resiliente dos magistrados e alerta para necessidade de fortalecer instituições sem idolatria
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defendeu nesta segunda-feira (11) que os magistrados reajam com resiliência às críticas e ataques direcionados ao Poder Judiciário. Ele também destacou a importância de defender as instituições, mas sem idolatrá-las.
"Somos profissionais vocacionados. Não desconhecemos as adversidades do nosso tempo. Precisamos ser resilientes diante das incompreensões e dos ataques, por vezes infundados, direcionados às nossas atividades e às prerrogativas da magistratura", afirmou Fachin aos representantes dos tribunais durante reunião preparatória do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para o 20º Encontro Nacional do Poder Judiciário.
Segundo o ministro, as críticas devem servir para aprimorar a atuação dos juízes. "Podemos fazer mais e melhor, mesmo em tempo de crises, interrogações e dúvidas. Defender as instituições sem idolatrá-las, produzir confiança pública longe do cinismo ou engenhosidade. É possível simultaneamente criticar as instituições para aperfeiçoá-las e preservá-las como patrimônio civilizatório", destacado.
Fachin também afirmou que cabe aos magistrados enfrentarem tentativas de enfraquecer a alternativa institucional do Judiciário, ressaltando a necessidade de “ter olhos de ver e ouvidos de ouvir”. Ele alertou: “O desafio desse momento é impedir que a morosidade, a desigualdade e a descrença fragilizem a confiança da cidadania nas instituições republicanas”.
As declarações ocorrem em meio ao desgaste da imagem do STF, após revelações sobre ligações entre ministros e o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. A Corte também tem sido alvo de críticas recorrentes da direita bolsonarista e de parte do Congresso Nacional.
De acordo com pesquisa RealTime Big Data divulgada na última terça-feira (5), a maioria dos brasileiros demonstra desconfiança em relação ao STF: 55% dos entrevistados disseram não confiar na Corte, enquanto 36% afirmaram confiar e 9% não souberam ou preferiram não responder.
Desde que assumiu a presidência do STF, Fachin buscou implementar um Código de Conduta para os membros da Corte, mas enfrentou resistência interna entre colegas do tribunal.