POLÍTICA

Wagner rebate Flávio Bolsonaro e diz que Bahia não tem 'campeão das rachadinhas'

Líder do governo no Senado critica tentativa de associar PT ao caso Master e comenta relação com Lula após derrota de Messias ao STF.

Publicado em 11/05/2026 às 16:07
O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA) Jefferson Rudy/Agência Senado

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), afirmou nesta segunda-feira (11) que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tenta aceitar ao PT o envolvimento no caso Master, mas ressaltou que o parlamentar primeiro deveria consultar suas próprias pendências judiciais.

"Ele vem tentando empurrar para o colo do PT. Aqui na Bahia, ninguém tem casa de US$ 6 milhões comprada com juros beneficiados, ninguém do PT da Bahia tem loja de chocolate e não tem no PT da Bahia o campeão das rachadinhas. Então, é melhor que ele explique o dele do que acusar os outros", declarou Wagner em entrevista à Globonews, referindo-se às investigações sobre supostas rachadinhas no gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Ciro Nogueira

Wagner evitou comentar as investigações que envolvem o presidente do PP, Ciro Nogueira (PI), também citado no caso Master. “Essa busca e apreensão com o Ciro, que eu não vou fazer julgamento, porque está em investigação ainda”, afirmou.

Anistia

O senador também declarou não acreditar que a oposição conseguirá aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para conceder anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro. “Não sei nem se essa PEC será apresentada, ela foi muito malvista, por isso que acabei achando uma alternativa da dosimetria”, explicou.

Jorge Messias

Jaques Wagner revelou que se reunirá até terça-feira (12) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para discutir a relação com o Senado após a exclusão da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

Segundo Wagner, Lula ainda não deu orientações sobre a relação com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), um dos que se opôs à indicação de Messias. "Não conversei com Lula, a não ser por telefone. Por telefone não dá para discutir e eu daqui a um minuto vou ao ato em memória das vítimas da covid e provavelmente vou ter uma conversa com o presidente para ele me dizer como é que ele está pensando", disse.

Wagner relatou ainda que, após a derrota, alertou Lula sobre a possibilidade de traição entre parlamentares, mas negou que houvesse perseguição aos dissidentes. "Eu disse ao presidente Lula: Presidente, voto secreto é um convite a traição, como sempre se diz na política. Infelizmente, nós fomos traídos ou eu fui traído, porque a minha conta nunca baixou de 41 votos. Não vou ficar catando quem traiu, porque posso fazer injustiça", afirmou.

O senador lembrou o momento em que Davi Alcolumbre anunciou o resultado e antecipou a derrota do governo. "Subi à mesa para falar com o presidente Davi... subi pedindo a ele para abrir o painel, porque já tinha votação de 78 e só faltavam dois que eram membros da oposição. E queria a ele, na minha conclusão de que o Messias seria aprovado, o mínimo de 41, podendo ter 43, 44, 45 votos, e ele virou e me disse: Vocês vão perder por oito. Então, ele tinha uma contabilidade bastante precisa, porque nós perdemos por sete", Wagner.