DISPUTA INTERNA

Bate-boca por chapa ao Senado em SP contrapõe Salles e Constantino a Eduardo Bolsonaro e Frias

Racha no PL paulista expõe divergências na direita bolsonarista e intensifica troca de acusações entre aliados

Publicado em 10/05/2026 às 17:00
Carlos Moura/Agência Senado Fonte: Agência Senado

A escolha do Partido Liberal (PL) pela pré-candidatura do presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado, ao Senado, ampliou o racha entre lideranças da direita bolsonarista no estado.

Nos últimos dias, o ex-ministro do Meio Ambiente do governo Bolsonaro e deputado federal Ricardo Salles (Novo) trocou farpas nas redes sociais e em entrevistas com Eduardo Bolsonaro e aliados, após criticar a indicação de Prado.

O embate ganhou novos personagens nas últimas horas: o deputado estadual Gil Diniz (PL-SP), o deputado federal Mário Frias (PL-SP) e o comentarista Rodrigo Constantino também se manifestaram, escolhendo lados opostos na disputa.

A polêmica começou quando a confirmação de Prado como pré-candidato do PL veio acompanhada do apoio de Eduardo Bolsonaro, que inicialmente defendia um nome mais alinhado ideologicamente. Após negociações com Valdemar Costa Neto, presidente do partido, Eduardo mudou de posição e anunciou que será candidato a suplente de Prado.

Antes da decisão, Salles afirmou em uma rede social que não acreditava que Eduardo "se sujeitasse a ser suplente do pupilo do Valdemar" e criticou a ala "centrão fisiológico e anti ideológico" do PL. "Ele não vai se deixar usar por eles", escreveu Salles.

Eduardo Bolsonaro reagiu durante entrevista ao canal do YouTube Auriverde Brasil, dizendo que abriu mão do mandato na Câmara e de disputar o Senado, "ao contrário do Ricardo Salles, que, enfrentando um processo no STF, mergulhou e preferiu usar de moderação, não falar nada da Corte para agora se pintar de ser o cara que vai salvar todo mundo, o grande cara da direita". Em tom irônico, completou: Salles "botou o rabinho entre as pernas".

A disputa escalou. Gil Diniz e Mario Frias saíram em defesa de Eduardo Bolsonaro, fazendo críticas duras a Salles. Diniz o chamou de "mordomo de Geraldo Alckmin", "Marina Silva da direita", "dinheirista" e "covarde". Frias publicou um texto acusando Salles de covardia e traição. Por outro lado, Rodrigo Constantino apoiou Salles publicamente.

Salles decidiu interromper a discussão neste sábado (9), afirmando que não iria "perder seu tempo respondendo a trupe de puxa-sacos do Eduardo".

"A questão é muito simples: Parem de desrespeitar a vontade do Jair Bolsonaro e usar o nome dele para suas negociatas. Tirem o filhote do Valdemar e coloquem o Mello Araújo de candidato. Esse sim é direita e PAULISTA. Se fizer isso, abro mão na hora. Se não fizer é porque realmente não querem devolver a grana do tal acordo com o centrão", escreveu Salles.

O centro da disputa está na corrida pelo voto à direita em São Paulo. Além de Prado, que não tem histórico ligado ao bolsonarismo, o PL apoia o deputado federal e ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP).

Com a possível candidatura de Salles pelo Novo, a disputa pelas duas vagas ao Senado tende a fragmentar o eleitorado de direita, o que, segundo aliados, pode favorecer candidatos de centro ou esquerda.

Por isso, Salles defende que Eduardo apoie o nome preferido de Jair Bolsonaro, o vice-prefeito de São Paulo, Mello Araújo. Caso isso aconteça, Salles afirma que retira sua pré-candidatura.