REAÇÃO JURÍDICA

Condenados do 8 de Janeiro articulam resposta caso governo Lula questione Lei da Dosimetria

Associação de familiares promete acionar Justiça para garantir aplicação da norma que reduz penas de envolvidos nos atos antidemocráticos.

Publicado em 08/05/2026 às 17:48
Condenados do 8 de Janeiro articulam resposta caso governo Lula questione Lei da Dosimetria Reprodução / Agência Brasil

Com a promulgação, nesta sexta-feira (8), da Lei da Dosimetria — que prevê a redução de penas e facilita a progressão de regime para condenados por crimes contra o Estado Democrático de Direito —, condenados pelos ataques aos Três Poderes, em Brasília, articulam uma reação judicial para assegurar a aplicação da nova norma.

Gabriela Ritter, presidente da Associação dos Familiares e Vítimas do 8 de Janeiro (Asfav) e advogada, afirmou que a entidade recorrerá a "todos os meios necessários para fazer a lei ser aplicada", caso integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) questionem a constitucionalidade da medida no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista ao portal Metrópoles, Ritter declarou que pretende "ajudar no anseio que a população tem de demonstrar que essas penas são abusivas e absurdas". Ela também disse estar otimista quanto à atuação dos ministros do STF no caso.

Segundo Ritter, a associação já entregou documentos a todos os ministros da Corte, contendo informações sobre "os casos mais graves" relacionados às condenações. Além disso, a Asfav mantém contato direto com parlamentares em negociações para tentar reduzir as penas impostas aos condenados.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), promulgou a norma nesta sexta-feira, 8. O projeto havia sido vetado integralmente por Lula em 8 de janeiro deste ano, durante solenidade no Palácio do Planalto em memória dos três anos dos atos antidemocráticos.

Em 20 de abril, o Congresso derrubou, por 49 votos a 24 no Senado, o veto presidencial ao projeto que reduz as penas aplicadas pelo STF aos envolvidos nos atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, beneficiando inclusive o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Na Câmara dos Deputados, a derrubada do veto foi aprovada por 318 votos a 144, com cinco abstenções.

Após a votação, o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), afirmou que a base governista deve questionar a validade da lei no Supremo. Caso isso ocorra, caberá aos ministros do STF decidir se a norma está de acordo com a Constituição Federal ou se poderá ser anulada.