PROJETO DE LEI

Líder do MDB no Senado propõe aumentar transparência de ONGs com financiamento estrangeiro

Proposta de Eduardo Braga estabelece regras mais rígidas para entidades que recebem recursos do exterior, incluindo criação de Portal de Transparência e auditorias independentes.

Publicado em 08/05/2026 às 16:23
Eduardo Braga Bruno Spada / Câmara dos Deputados

O líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM), apresentou um projeto de lei que propõe regras mais rigorosas de transparência para ONGs e entidades do terceiro setor que recebem financiamento estrangeiro.

A iniciativa cria a chamada Lei de Transparência das Organizações de Influência Pública, abrangendo associações, fundações e institutos que atuam, de forma habitual, na influência de leis, atos administrativos ou decisões judiciais.

Pela proposta, entidades que recebem R$ 200 mil ou mais por ano de fontes estrangeiras — como governos, ONGs internacionais ou empresas multinacionais — deverão cumprir novas exigências. Entre elas, está a criação de um Portal de Transparência com atualização mensal, divulgando nome e CPF ou CNPJ de financiadores, além dos beneficiários de pagamentos realizados pela organização.

O texto também determina a obrigatoriedade de auditorias externas independentes, registradas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para validar a destinação dos recursos recebidos.

Outra medida prevista é a criação do Selo de Transparência de Financiamento, exigindo que todo estudo, nota técnica ou publicação em redes sociais financiada com recursos externos apresente aviso visível com a frase: "material produzido com financiamento estrangeiro".

Na justificativa, Braga argumenta que a falta de clareza sobre financiamentos pode ocultar interesses geopolíticos que impactam o desenvolvimento nacional. Ele citou como exemplo a BR-319, no Amazonas, onde ações judiciais atribuídas a redes de ONGs teriam contribuído para a paralisação de obras estratégicas para a região.

O senador defende que a lei cria uma "equivalência de escrutínio", já que partidos e candidatos são obrigados a detalhar receitas e despesas de forma nominal. Segundo ele, organizações privadas que buscam influenciar decisões do Estado também devem estar sujeitas a um nível semelhante de transparência.

Em caso de descumprimento, o projeto prevê aplicação de multas e impedimento de atuação em processos judiciais contra atos do Poder Público. A proposta será analisada pelas comissões do Senado.