ECONOMIA

Setor empresarial pede redução de encargos trabalhistas e critica fim da escala 6x1

Comissão da Câmara promove debate sobre o custo Brasil

Publicado em 07/05/2026 às 18:23
Empresários defendem redução de encargos e criticam mudanças na jornada de trabalho em debate na Câmara. Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Representantes do setor empresarial defenderam a redução de encargos trabalhistas como estratégia para aumentar a competitividade dos produtos brasileiros frente aos importados. Durante audiência pública na Comissão de Desenvolvimento Econômico da Câmara dos Deputados, empresários criticaram as propostas em análise que visam reduzir a jornada de trabalho.

Comissão apresenta cronograma para votação do fim da escala 6x1

Fábio Augusto Pina, da Fecomércio de São Paulo, argumentou que a discussão sobre a jornada não deveria ocorrer em ano eleitoral. "Ninguém discutiu se isso é viável, e tem que ser viável por meio da produtividade", destacou.

Roberto Ordine, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo, ressaltou que já existem instrumentos para negociar uma escala reduzida. "Através dos acordos trabalhistas, podemos ajustar essas condições. Por que o Estado precisa intervir aqui?", questionou.

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP), responsável pelo requerimento do debate, afirmou que solicitou a presença de representantes patronais em todas as audiências na Câmara sobre o fim da escala de trabalho 6x1.

Custo Brasil

No debate, o chamado custo Brasil foi estimado em R$ 1,5 trilhão pelo economista Carlos Costa. Segundo ele, esse valor representa a diferença anual para fazer negócios no Brasil em comparação a países desenvolvidos. Costa defendeu a redução dos encargos trabalhistas e da carga tributária, além de um novo marco regulatório para o setor elétrico.

Fábio Augusto Pina também defendeu a criação de um novo teto de gastos para o setor público, como forma de reduzir o endividamento e, consequentemente, a taxa básica de juros. Ele ainda destacou a dificuldade em elevar a produtividade no país devido à baixa qualidade do ensino básico.

Renato Corona, representante da Fiesp, apontou que a diferença de preço entre produtos nacionais e importados chega a 24,1% em média. No que diz respeito à carga tributária, ela representa 32,5% do PIB no Brasil, contra 26,5% em países parceiros.