DIPLOMACIA E SEGURANÇA

Lula nega ter discutido com Trump classificação de PCC e CV como organizações terroristas

Presidente brasileiro afirma que tema não foi pauta em encontro com Trump e defende grupo multilateral para combater crime organizado.

Publicado em 07/05/2026 às 18:14
Donald Trump e Lula Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 7, após um encontro de três horas com o norte-americano Donald Trump, que ambos não discutiram a intenção dos Estados Unidos de classificar facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas.

A segurança pública é um dos principais eixos da diplomacia do governo Trump para a América Latina. Os EUA já declararam que as facções brasileiras representam "ameaças significativas à segurança regional". O governo brasileiro, porém, rejeita a classificação dessas organizações como terroristas, temendo que isso possa justificar ações militares extraterritoriais por parte dos americanos.

Lula relatou que propôs ao presidente dos Estados Unidos a criação de um grupo de trabalho envolvendo todos os países da América Latina, ou até mesmo do mundo. "Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e, quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado", declarou Lula em entrevista a jornalistas após a reunião em Washington.

O presidente também questionou a estratégia dos EUA de combater o crime organizado por meio de bases militares e defendeu alternativas econômicas para regiões produtoras de drogas. "Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se não oferece uma alternativa de algum produto que possa ser plantado e gerar renda?", indagou.

Durante a entrevista, Lula destacou ainda que parte das armas que entram no Brasil tem origem nos Estados Unidos. "É importante saber que há lavagem de dinheiro realizada em Estados americanos. Se colocarmos a verdade na mesa e criarmos um grupo de trabalho conjunto, poderemos resolver em décadas o que não foi solucionado em séculos", afirmou.

Lula defendeu o multilateralismo em oposição ao "unilateralismo das taxações do presidente Trump" e ressaltou que nenhum país tem hegemonia no combate ao crime organizado. "É algo que precisa ser compartilhado por todos, e o Brasil tem expertise, conta com uma extraordinária Polícia Federal (PF)", destacou.

O presidente confirmou que o governo lançará, a partir da próxima semana, um plano de combate ao crime organizado, com investimento previsto de R$ 960 milhões ainda este ano. A área de segurança pública é uma das que apresentam pior avaliação no governo e representa um desafio para Lula na campanha eleitoral deste ano.

"A partir da semana que vem, vamos lançar um plano de combate ao crime organizado que é para valer. Teremos várias frentes, uma delas é a questão financeira. Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções", afirmou.

Encontro de três horas

A reunião entre Lula e Trump começou por volta das 12h40 (11h40 no horário de Washington) desta quinta-feira, 7, na Casa Branca, e durou três horas. Foi o primeiro encontro dos dois na sede do governo americano.

Lula esteve acompanhado dos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública).

Já a equipe de Trump foi composta pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, pelo representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, e pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.