OPERAÇÃO COMPLIANCE ZERO

PF realiza buscas contra Ciro Nogueira na quinta fase de investigação sobre Banco Master e Daniel Vorcaro

Senador é alvo de mandado de busca e apreensão autorizado pelo STF em ação que investiga suposto favorecimento ao Banco Master.

Publicado em 07/05/2026 às 07:33
Ciro Nogueira Edilson Rodrigues/Agência Senado

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira, 7, a quinta fase da Operação Compliance Zero, direcionando pela primeira vez as investigações ao núcleo político por suspeitas de crimes envolvendo o Banco Master e o empresário Daniel Vorcaro. Nesta etapa, está sendo cumprido mandato de busca e apreensão contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do Progressistas.

A operação foi autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça.

Segundo apuração do Estadão, a PF localizou no celular de Vorcaro conversas com o senador e registros de ordens de pagamento emitidas pelo banqueiro para uma pessoa identificada como 'Ciro', sem menção ao sobrenome. Na ocasião, Ciro Nogueira admitiu conhecer Vorcaro, mas negou proximidade e qualquer coleta de valores.

Mensagens encontradas pela PF mostram Vorcaro se referindo ao senador como "grande amigo de vida" e celebrando uma iniciativa legislativa de Ciro que teria beneficiado o Banco Master.

Os dados da mensagem em que Vorcaro comemora o que chamou de "bomba atômica no mercado financeiro" — 13 de agosto de 2024 — coincidem com a apresentação, de Ciro Nogueira, de uma emenda à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre a autonomia financeira do Banco Central. A proposta visava aumentar o valor coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil por CPF para R$ 1 milhão.

De acordo com políticos e membros do mercado financeiro, esta proposta foi identificada como uma das primeiras ações de favorecimento ao Banco Master no Congresso Nacional.

O aumento da cobertura do FGC foi uma das principais estratégias do Banco Master para transferência de investimentos em seus Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), conforme revelado no Estadão em agosto do ano passado.

Esta quinta fase da operação ocorre na mesma semana em que a defesa de Daniel Vorcaro apresentou à PF e à Procuradoria-Geral da República (PGR) uma proposta de acordo de delação premiada, ainda sob análise dos investigadores. A PF ressalta que a nova etapa não está relacionada aos fatos apresentados na proposta de delação, que, neste momento, não possui valor probatório.

Na quarta fase da operação, deflagrada em 16 de abril, a PF prendeu o ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, que também manifestou interesse em negociar um acordo de delação.