JUDICIÁRIO

Novo aciona CNJ contra presidente do TST após fala sobre juízes 'vermelhos e azuis'

Partido questiona postura do ministro Luiz Phillipe Vieira de Mello e pede investigação por possível viés ideológico

Publicado em 05/05/2026 às 19:30
Luiz Philippe Vieira de Mello Filho Pedro França/Agência Senado Fonte: Agência Senado

O partido Novo protocolou, nesta segunda-feira (4), uma reclamação disciplinar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) contra o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Luiz Phillipe Vieira de Mello. O magistrado gerou polêmica ao mencionar juízes "vermelhos" e "azuis" durante fala sobre a Justiça do Trabalho, o que foi interpretado como referência à polarização política no País.

As declarações ocorreram durante o 22º Congresso Nacional das Magistradas e dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Conamat), realizado entre 29 de abril e 2 de maio de 2026, em Brasília.

Na representação enviada à Corregedoria Nacional de Justiça, sob responsabilidade do ministro Mauro Campbell Marques, o Novo argumenta que o presidente do TST teria adotado "postura incompatível com a magistratura" ao afirmar, em discurso, que "nós, vermelhos, temos causa", contrapondo diferentes correntes dentro do Judiciário.

Após a repercussão negativa, o próprio ministro explicou que sua fala foi uma resposta ao colega Ives Gandra Martins Filho, também do TST, que havia classificado os integrantes da Corte como "azuis e vermelhos" para ilustrar visões opostas — associadas a posturas mais "liberais" ou "intervencionistas", "legalistas" ou "ativistas".

"Ele nos classificou em vermelhos e azuis. Eu estou dizendo: se vermelho é defender o Direito do Trabalho e o que a Constituição nos atribui como competência, então que eu seja", declarou o ministro em entrevista ao Estadão. A representação do Novo não menciona o episódio em que 14 ministros do TST participaram de aulas para advogados sobre atuação na Corte.

Além da declaração, o Novo também destaca críticas feitas pelo ministro ao que chamou de "capitalismo selvagem e desenfreado", além da defesa de mudanças nas relações de trabalho, como o fim da escala 6x1. Segundo o partido, tais posicionamentos reforçam a percepção de alinhamento ideológico.

De acordo com o Novo, as condutas violariam princípios constitucionais, a Lei Orgânica da Magistratura (Loman) e o Código de Ética da Magistratura, principalmente quanto à neutralidade e à proibição de atuação político-partidária.

Para o presidente do Novo, Eduardo Ribeiro, a medida busca preservar a credibilidade do Judiciário. "Quando um magistrado, sobretudo na mais alta função de um tribunal, adota um discurso com viés ideológico, ele compromete a confiança da sociedade na imparcialidade da Justiça. O que estamos defendendo é o cumprimento rigoroso das regras que garantem a neutralidade do Judiciário", afirmou.

O partido solicita que o CNJ aceite a reclamação, instaure procedimento disciplinar e, ao final, aplique as sanções cabíveis caso sejam confirmadas irregularidades.

Segundo levantamento do Estadão, Mello Filho e outros 21 ministros do TST receberam, em março, salários superiores a R$ 100 mil. Outros três ministros tiveram vencimentos entre R$ 52 mil e R$ 90 mil.