Projeto que cria Universidade Federal Indígena segue para sanção presidencial
Unind terá sede em Brasília e visa ampliar o acesso de povos originários ao ensino superior, valorizando saberes tradicionais.
O projeto de criação da Universidade Federal Indígena (Unind) foi aprovado em Plenário nesta terça-feira (5), com relatório favorável do senador Eduardo Braga (MDB-AM). Agora, o texto segue para sanção presidencial.
Segundo o PL 6.132/2025, apresentado pela Presidência da República, a Unind terá sede em Brasília e poderá implantar unidades em diversas regiões do país para atender às demandas dos povos originários. A universidade deverá oferecer ensino superior, promover pesquisa e extensão universitária, valorizar saberes tradicionais e incentivar a sustentabilidade socioambiental nos territórios indígenas.
Com base na Lei de Cotas (Lei 12.711, de 2012), a instituição poderá adotar processos seletivos próprios, com critérios específicos que garantam um percentual mínimo de vagas para candidatos indígenas. Os cargos de reitor e vice-reitor da Unind deverão ser ocupados, obrigatoriamente, por docentes indígenas assim que forem definidas as normas para escolha desses cargos.
Avanço da participação
O projeto tramitou em conjunto com o PL 3.003/2023, do ex-senador Mecias de Jesus (RR), que também previa a criação de uma universidade indígena. Em seu relatório, Eduardo Braga considerou prejudicado o PL 3.003/2023 e destacou o mérito do PL 6.132/2025 ao reforçar a participação das populações indígenas no ensino superior.
“Apesar do marco representado pela Constituição de 1988 no reconhecimento aos indígenas de sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, assim como de seus direitos sobre as terras que tradicionalmente ocupam, até hoje não há no país uma universidade essencialmente voltada à realidade dos povos originários”, ressaltou Braga em seu relatório.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enfatizou a importância da proposta e agradeceu o empenho de Eduardo Braga para a deliberação em Plenário.
— Foi a solicitação de Vossa Excelência, em várias ocasiões, que fez com que a Mesa Diretora ficasse atenta a uma matéria tão relevante para os povos originários brasileiros.
Braga também lembrou que seu estado, o Amazonas, possui a maior população indígena do Brasil. Para ele, há grande demanda pelo estudo dos conhecimentos dos povos originários.
— Não é uma universidade simplesmente para ensinar novas práticas, mas para aprofundar no conhecimento de uma cultura milenar, de um povo que estava aqui antes de nós sermos descobertos, e que tem uma relação homem-natureza absolutamente diferenciada.
‘Reparação’
Durante a discussão, o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) parabenizou o governo federal pela iniciativa, classificando-a como uma reparação histórica.
— Este país foi assentado sobre um genocídio. (...) Hoje nós temos no Brasil menos de 1% do que tínhamos em 1500. O primeiro passo a ser feito, por parte de qualquer governo, é o reconhecimento disso.
O senador Chico Rodrigues (PSB-RR) avaliou que o projeto vai além da criação de uma instituição de ensino.
— Trata-se de uma política pública estruturante que reconhece a necessidade de um espaço acadêmico voltado à realidade dos povos indígenas, respeitando suas línguas, seus costumes, suas tradições e seu modo de vida.