DISPUTA POLÍTICA

Haddad rebate Tarcísio e diz que situação fiscal de SP só não é pior graças à ajuda de Lula

Ex-ministro critica gestão de Tarcísio, aponta venda de patrimônio e afirma que governo federal evitou crise maior em São Paulo.

Publicado em 05/05/2026 às 17:27
Fernando Haddad Reprodução / Agência Brasil

O pré-candidato ao governo de São Paulo e ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), respondeu nesta terça-feira (5) às declarações do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes, Tarcísio afirmou que o petista "quebrou o País".

Segundo Haddad, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) recebeu da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro uma peça orçamentária "fictícia", com previsão de déficit primário de R$ 63 bilhões em 2023, conforme registrado no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA). O ex-ministro destacou que a situação fiscal entregue ao próximo mandato presidencial deverá ser muito diferente.

"Somando isso aos calotes nos precatórios, nos governadores e no Bolsa Família, o déficit entregue por Bolsonaro a Lula foi de mais de R$ 200 bilhões", afirmou Haddad. "O que o governador Tarcísio de Freitas está fazendo em São Paulo é o que seu padrinho fez no plano federal."

Em nota, Haddad acusou Tarcísio de "destruir as finanças" de São Paulo e afirmou que a situação fiscal do Estado só não é pior devido à ajuda do governo Lula e à venda de patrimônio público em "certames duvidosos". O petista também responsabilizou o governador pelo pior resultado orçamentário da história do Estado e por uma piora significativa no resultado primário nos três primeiros anos de sua gestão.

"O governador insiste que o Estado tem R$ 23 bilhões de caixa bruto em 2025, mas não conta o detalhe de que esse caixa bruto, após descontadas as obrigações já contratadas e os restos a pagar, deixa um saldo líquido de caixa de apenas R$ 5,4 bilhões", reforçou Haddad.

Nesta terça-feira, Tarcísio afirmou que Haddad não teria autoridade para criticar sua gestão e atribuiu ao ex-ministro um legado de deterioração fiscal no governo federal. Segundo o governador, a passagem de Haddad pela área econômica foi marcada por aumento de sete pontos na relação dívida/PIB, recorde de carga tributária, alto endividamento das famílias, crescimento do número de empresas em recuperação judicial, a segunda maior taxa de juros real do mundo, mais de R$ 1 trilhão em pagamento de juros e dívida superior a R$ 10 trilhões.

Durante evento de balanço anual do governo paulista, Tarcísio também fez críticas indiretas ao presidente Lula. "Tem gente que precisa ser aposentada. E posso falar? Serão aposentados este ano", declarou o governador, que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na disputa pela Presidência da República.