PGR apoia progressão de Walter Delgatti para regime aberto e destaca bom comportamento
Manifestação enviada ao STF aponta que hacker cumpriu requisitos legais e teve conduta exemplar na prisão.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se nesta segunda-feira, 4, favorável ao pedido de progressão de regime do hacker Walter Delgatti Neto para o regime aberto. O parecer foi encaminhado pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator da execução penal.
Segundo a PGR, relatórios da unidade prisional indicam que Delgatti apresentou "ótimo comportamento carcerário". O órgão também ressaltou que o detento preenche todos os requisitos previstos na Lei de Execução Penal para a mudança de regime.
"Dessa forma, estão atendidos os requisitos objetivos e subjetivos exigidos para a progressão de regime prisional", afirmou a PGR na manifestação.
Delgatti encontra-se preso em Tremembé, interior de São Paulo, cumprindo pena de oito anos e três meses pela invasão, em 2023, dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a mando da ex-deputada federal Carla Zambelli, atualmente detida na Itália. Na ocasião, o hacker chegou a inserir na plataforma da Justiça um mandado falso de prisão contra Moraes.
O hacker foi transferido para a Penitenciária 2 de Tremembé em fevereiro de 2025 para iniciar o cumprimento da pena imposta pelo STF. Em dezembro do mesmo ano, ainda em regime fechado, foi transferido para a Penitenciária 2 de Potim, também no Vale do Paraíba. Já em janeiro de 2026, após decisão de Moraes que autorizou a progressão ao regime semiaberto, Delgatti retornou à unidade de Tremembé.
Em abril deste ano, o ministro autorizou a redução de 100 dias da pena do hacker, devido ao seu desempenho no Exame Nacional do Ensino Médio para Pessoas Privadas de Liberdade (Enem PPL).
Antes dessa condenação no STF, Delgatti já respondia a outro processo. Na Operação Spoofing, foi condenado em primeira instância a 20 anos de reclusão por hackear autoridades da extinta Operação Lava Jato e vazar mensagens obtidas ilegalmente. Esse caso ainda tramita em segunda instância na Justiça Federal em Brasília, onde Delgatti responde ao processo em liberdade.