EMBATE POLÍTICO

Tarcísio rebate críticas de Haddad à política fiscal de São Paulo

Governador paulista acusa ex-ministro de deixar 'legado de endividamento' e diz que petista 'quebrou o Brasil'

Publicado em 05/05/2026 às 15:13
O governador Tarcísio de Freitas Reprodução / Instagram

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), respondeu às críticas do ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) sobre a política fiscal do Estado. Em coletiva realizada nesta terça-feira (5), Tarcísio afirmou que Haddad "quebrou o Brasil", "não trabalhou durante três anos" e deixou como legado o endividamento da população e uma alta taxa de juros.

"Era só o que faltava o Haddad vir falar de política fiscal do Estado de São Paulo. Está de brincadeira. O cara que quebrou o Brasil vai falar do Estado de São Paulo? Eu teria vergonha", declarou o governador, reforçando que o "legado" de Haddad no governo federal inclui alto endividamento da população e taxas de juros elevadas.

Durante o evento de balanço anual do programa de infraestrutura "São Paulo Pra Toda Obra", Tarcísio já havia feito críticas indiretas ao petista e ao governo federal. "Está na hora de dar cartão vermelho para essa turma, que eles não vão voltar mais", afirmou.

As declarações de Tarcísio são uma resposta às recentes críticas de Haddad, que apontou fragilidades na saúde financeira do Estado e classificou a gestão do atual governador como a pior desde Luiz Antônio Fleury, eleito em 1990.

Em entrevista ao portal Metrópoles, Haddad afirmou: "Se não fosse a renegociação da dívida que eu conduzi junto com o Rodrigo Pacheco, que era presidente do Congresso, São Paulo acho que não fechava o mandato dele, Tarcísio. São Paulo está sem caixa. Ele recebeu do governo anterior um volume de recursos em caixa. E ele não tem dinheiro hoje. E vendendo a Sabesp, aumentando a conta de água, renegociando a dívida. Se não fosse isso, São Paulo estaria ainda pior".

Tarcísio rebateu dizendo que "quem questiona a saúde financeira de São Paulo" deixou um aumento de sete pontos na relação dívida/PIB, além de uma massa de inadimplentes, recorde de recuperações judiciais, a maior carga tributária e a segunda maior taxa de juros reais do mundo.

"Tem gente que precisa ser aposentada. E posso falar? Serão aposentados este ano", declarou o governador, que apoia o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.

Questionado sobre a afirmação de Haddad de que seria submisso a Donald Trump e sobre o impacto do tarifaço em São Paulo, Tarcísio respondeu: "O que tem a ver o Estado de São Paulo com o Trump? A gente não faz política externa aqui. Não trabalhou durante três anos e agora quer ficar falando besteira."

O evento, realizado na sede do governo paulista e com a presença de dezenas de prefeitos, também teve falas críticas ao PT. O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), por exemplo, destacou o gasto trilionário com juros da dívida pública e o fato de o Brasil manter a segunda maior taxa de juros reais do mundo.