Eduardo Bolsonaro ironiza encontro entre Lula e Trump e questiona soberania nacional
Ex-deputado critica aproximação entre o presidente Lula e Donald Trump e acusa petista de incoerência em discurso sobre soberania
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro ironizou nesta segunda-feira (4) a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Washington para encontro na Casa Branca com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Pelas redes sociais, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) chamou Lula de "malandro" e questionou sua postura em relação à soberania nacional.
"Ué, mas não era o Flávio Bolsonaro o cara do imperialismo yankee? E a narrativa de Lula defender a soberania nacional? A verdade é que Lula, malandro que é, fez um discurso para a militância e outro para as elites. Entre um e outro existe um abismo!", escreveu Eduardo em seu perfil do X (antigo Twitter).
A declaração faz referência aos posicionamentos de Lula em defesa da soberania nacional e à crítica de que o Brasil deve ser tratado de forma igualitária pelos Estados Unidos. O petista também vem acusando Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência, de ser submisso a Donald Trump.
Lula já afirmou que Flávio, seu adversário político, "entregaria o Brasil" aos Estados Unidos caso fosse eleito. A fala ocorre no contexto em que políticos da direita defendem acordos com Trump para permitir a exploração dos minérios das chamadas "terras raras".
"A gente quer compartilhar com o Brasil, mas a gente quer transformar dentro do Brasil. Industrializar o Brasil. Ele, Flávio Bolsonaro, quer vender para os Estados Unidos, sabe, uma coisa que é tão importante para o Brasil", declarou Lula em entrevista ao ICL em 8 de abril.
Na quinta-feira (7), Lula deve se reunir com Trump na Casa Branca para tratar de tarifas comerciais. A visita vinha sendo adiada desde março, quando os governos não encontraram uma data para a reunião, articulada desde o fim do ano passado e combinada em janeiro, durante telefonema entre Lula e Trump.
O vice-presidente Geraldo Alckmin destacou a importância do encontro: "Esse encontro é muito importante, porque os Estados Unidos são o terceiro parceiro comercial do Brasil, mas são o primeiro investidor no Brasil, e compram produtos de valor agregado, manufatura, avião, automóvel, motores, máquinas". Alckmin, que liderou negociações entre os países como ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio Exterior e Serviços, ressaltou o potencial da relação bilateral.
"Aquele tarifaço não tinha sentido, porque os Estados Unidos têm déficit na balança comercial com muitos países do mundo, mas não têm com o Brasil. Eu torço para que essa boa química que ocorreu entre o presidente Lula e o presidente Trump possa fortalecer ainda mais em benefício de dois grandes países", afirmou o vice-presidente.
Alckmin acrescentou que o governo busca fortalecer a parceria entre os países, derrubar barreiras não tarifárias e ampliar oportunidades em setores como big techs, terras raras, minerais estratégicos e atração de data centers. "Estamos vivendo outro momento, passando o tarifaço e agora é fortalecer essa parceria, derrubar também barreiras não tarifárias, tem espaço na questão das big techs, terras raras, minerais estratégicos, vai ter aqui o Redata, um programa para atrair data center, tem muita oportunidade de investimentos recíprocos", completou.