Presidente do DC veta filiação de Witzel alegando excesso de 'doidos' no partido
João Caldas afirma ter recusado o ex-governador do Rio, que nega versão e diz já estar filiado a outra sigla.
O presidente nacional do Democracia Cristã (DC), João Caldas, afirmou ter barrado a filiação do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, justificando a decisão pelo excesso de 'doidos' já presentes no partido. Segundo Caldas, Witzel procurou a legenda com o objetivo de viabilizar sua pré-candidatura ao governo fluminense nas eleições deste ano.
"Ele fez de tudo para entrar no partido, ligou, fez reunião. Mas eu disse que não, já tem muito doido no partido", declarou João Caldas em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada no último sábado (2). A versão, no entanto, foi contestada por Witzel.
Ao jornal O Globo, o ex-governador classificou a afirmação como "no mínimo, curiosa e, no essencial, falsa". Segundo Witzel, a iniciativa de contato teria partido do pré-candidato à Presidência pelo DC, Aldo Rebelo. A filiação de Witzel ao DC chegou a ser noticiada em fevereiro, mas não foi concretizada.
Witzel também afirmou estar filiado desde 2022 ao Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira. Em vídeos publicados no Instagram no mês passado, ao lado da presidente nacional da sigla, Suêd Haidar, ele aparece convidando seguidores a se filiarem ao partido e se apresenta como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro.
Ex-juiz federal, Wilson Witzel foi eleito governador do Rio em 2018, impulsionado pela Operação Lava Jato e pelo bolsonarismo, apresentando-se como "outsider" e "contra a velha política". Permaneceu no cargo até 2021, quando foi cassado sob acusações de irregularidades em contratos com empresas de saúde durante a pandemia de covid-19.
Witzel foi afastado por decisão judicial e, posteriormente, teve o impeachment confirmado por unanimidade em tribunal misto formado por deputados e desembargadores. Antes, já havia sido derrotado em votações na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Na ocasião da cassação, o ex-governador foi declarado inelegível por cinco anos. O prazo de inelegibilidade termina antes do fim do período de registro de candidaturas (15 de agosto), o que o torna apto a disputar as eleições deste ano.