ELEIÇÕES 2024

Presidente do DC diz ter vetado filiação de Witzel por já haver 'doidos demais' no partido

João Caldas afirma que ex-governador do Rio tentou se filiar ao Democracia Cristã, mas pedido foi recusado. Witzel nega versão e diz que convite partiu de pré-candidato do partido.

Publicado em 04/05/2026 às 17:39
Wilson Witzel Reprodução / Agência Brasil

O presidente do Democracia Cristã (DC), João Caldas, afirmou ter vetado a filiação do ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, alegando que já há 'doidos demais' no partido. Segundo Caldas, Witzel buscava viabilizar sua pré-candidatura ao governo fluminense nas eleições deste ano.

"Ele fez de tudo para entrar no partido, ligou, fez reunião. Mas eu disse que não, já tem muito doido no partido", declarou Caldas em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, publicada no último sábado, 2. A versão, porém, é contestada por Witzel.

Ao jornal O Globo, o ex-governador classificou a afirmação como "no mínimo, curiosa e, no essencial, falsa". Segundo Witzel, a iniciativa do contato partiu de Aldo Rebelo, pré-candidato à Presidência pelo DC. A filiação de Witzel ao partido chegou a ser noticiada em fevereiro, mas não se concretizou.

Witzel afirmou ainda estar filiado desde 2022 ao Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira. Em vídeos publicados no Instagram no mês passado, ao lado da presidente nacional da sigla, Suêd Haidar, ele aparece convidando seguidores a se filiarem e se apresenta como pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro.

Ex-juiz federal, Witzel foi eleito governador do Rio em 2018, impulsionado pela Operação Lava Jato e pelo bolsonarismo, apresentando-se como "outsider" e "contra a velha política". Permaneceu no cargo até 2021, quando foi cassado sob acusações de irregularidades em contratos com empresas de saúde durante a pandemia de covid-19.

Witzel foi afastado por decisão judicial e, posteriormente, teve o impeachment confirmado por dez votos a zero em tribunal misto formado por cinco deputados e cinco desembargadores. Antes disso, em votações na Assembleia Legislativa (Alerj), havia perdido duas vezes: por 69 a 0 no plenário e por 24 a 0 na comissão especial.

Na ocasião da cassação, o ex-governador foi declarado inelegível por cinco anos. O prazo dessa inelegibilidade se encerra antes do fim do período de registro de candidaturas (15 de agosto), o que o torna apto a disputar o pleito deste ano.