JUSTIÇA

Desembargador do Rio afirma ao STF que localização de celular contesta motivo de sua prisão

Defesa apresenta ao ministro Alexandre de Moraes dados de antenas que indicam que Macário Judice Neto não esteve com Rodrigo Bacellar na data suspeita.

Publicado em 04/05/2026 às 17:00
Macário Júdice Neto. Reprodução Redes Sociais

A defesa do desembargador do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), Macário Judice Neto, preso desde dezembro sob suspeita de ter vazado informações de uma operação contra o Comando Vermelho, alegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que provas de localização de antenas de celulares, colhidas pela própria Polícia Federal, contestam o principal argumento utilizado para sua prisão.

Em petição encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, os advogados de Macário sustentam que os registros das antenas demonstram que ele não jantou com o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar, na véspera da ação da Polícia Federal que resultaria na prisão do ex-deputado Thiego Raimundo, conhecido como TH Joias, por ligação com o Comando Vermelho. Com base nessas informações, a defesa pede a revogação da prisão preventiva.

A suspeita da Polícia Federal é de que, durante o suposto encontro em 2 de setembro de 2025, Macário teria repassado a Bacellar dados sigilosos sobre a operação contra TH Joias, facilitando a destruição de provas. Essa hipótese se baseou em diálogos nos quais Bacellar afirmava a interlocutores que estaria jantando em uma churrascaria com o desembargador.

Após analisar as provas coletadas pela PF, a defesa de Macário apresentou nova petição relatando que as antenas dos celulares indicam que os dois não estiveram juntos naquela data. "Duas confirmações exsurgem de antemão: (i) nenhum dos dois esteve na Churrascaria Assador; e, mais importante, (ii) suas localizações não se sobrepõem em nenhum momento", afirmam os advogados.

Segundo os dados das antenas, Macário Neto participou de um jantar no Leblon na noite de 2 de setembro, retornando à Barra da Tijuca apenas no final da noite. Já o celular de Bacellar foi localizado, no mesmo período, na região de Copacabana, mesmo momento em que afirmou estar jantando com o desembargador.

Na petição, a defesa de Macário diz não saber por que Bacellar afirmou a terceiros que estava com o desembargador naquela noite. "Material, humana e fisicamente impossível o encontro entre os acusados na noite do dia 02 de setembro. O motivo pelo qual RODRIGO BACELLAR utilizou o nome de MACÁRIO como código naquela noite foge ao nosso entendimento", argumentam.

Bacellar chegou a ser solto por decisão da Assembleia Legislativa do Rio, mas foi novamente preso por ordem do ministro Alexandre de Moraes no final de março.

O ministro Moraes encaminhou a petição da defesa para manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre a manutenção da prisão do desembargador. Até o momento, não houve resposta.