ELEIÇÕES 2026

Zema afirma que, se eleito presidente, irá "privatizar tudo"

Pré-candidato do Novo defende privatização de estatais e reformas para reduzir juros e equilibrar contas públicas

Publicado em 03/05/2026 às 14:45
Romeu Zema (Novo) Reprodução / Instagram

O pré-candidato à Presidência da República e ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG), declarou que, se eleito, pretende privatizar todas as empresas estatais ainda sob controle da União. Segundo Zema, a medida contribuiria para uma redução mais rápida da taxa de juros no Brasil.

"Se eleito, vou privatizar tudo. Isso vai provocar uma queda de juros muito rápida porque veio junto de uma reforma administrativa, uma reforma previdenciária, revisão de benefícios sociais", afirmou em entrevista ao programa Canal Livre.

Atualmente, a União controla estatais em setores como energia, bancos, logística, tecnologia e serviços, entre elas Petrobras, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES, Correios, Serpro, Dataprev, Telebras, Casa da Moeda, Embrapa e empresas do setor nuclear, como a ENBPar e a Eletronuclear. Zema, no entanto, não detalhou a quais empresas se refere especificamente.

Para o pré-candidato, as privatizações podem ajudar a reduzir os juros ao melhorar a percepção de risco fiscal do país. No entanto, especialistas apontam que o efeito não é imediato nem garantido, já que os processos de desestatização costumam ser longos, exigindo modelagem, aprovação do Congresso e, por vezes, enfrentando disputas judiciais.

Zema também afirmou que a privatização viria acompanhada de uma reforma administrativa, reforma previdenciária e revisão de benefícios sociais, mas não especificou quais regras seriam alteradas, quais carreiras afetadas ou quais programas e despesas passariam por revisão.

Reforma previdenciária

Durante a entrevista, Romeu Zema reforçou que, se eleito, vai defender uma nova reforma da Previdência, propondo o aumento do tempo de contribuição dos trabalhadores e a suspensão de reajustes reais nos trabalhadores dos beneficiários.

Para o ex-governador, o modelo atual do sistema previdenciário é “insustentável”.

"Vamos precisar aumentar o tempo de contribuição, isso é fundamental. Mas não podemos dar ganhos reais, de forma alguma. Ganhos reais para quem está ganhando é algo que o Brasil não comporta", declarou.

Na avaliação de Zema, aumentaria o tempo de contribuição para aliviar as contas públicas, mantendo os trabalhadores mais tempo na ativa e reduzindo o período de coleta da retirada, o que ampliaria a arrecadação e contribuiria para o equilíbrio financeiro do sistema.

A crítica aos reajustes reais (aumentos acima da inflação) está relacionada ao impacto permanente sobre os gastos públicos. Como prestações e benefícios previdenciários representam uma das principais despesas da União, qualquer aumento real eleva as despesas obrigatórias de forma contínua, instruindo o orçamento federal e dificultando o cumprimento das metas fiscais.