POLÍTICA

Girão classifica como 'suspeita' a retomada de julgamento sobre delação premiada no STF

Senador critica momento da análise da ADPF 919, que discute constitucionalidade da colaboração premiada, em meio a negociações de delação no caso Banco Master.

Publicado em 13/04/2026 às 16:51
kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

O senador Eduardo Girão (Novo-CE) criticou, em pronunciamento no Plenário nesta segunda-feira (13), a retomada do julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 919/2021 pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O processo, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, questiona a constitucionalidade da Lei 12.850/2013, que autoriza acordos de colaboração premiada.

Girão questionou o momento da análise da ação, destacando que ocorre enquanto a defesa de Daniel Vorcaro negocia uma possível delação premiada. Vorcaro é o principal investigado no caso Banco Master e suspeito de envolvimento em irregularidades no sistema financeiro.

— A ADPF 919, parada desde 2021, justamente agora, em meio à iminência de uma possível delação — relevante no caso do Banco Master — revela um movimento, no mínimo, suspeito — afirmou o senador.

O parlamentar defendeu que o caso Banco Master seja tratado como prioridade no Congresso Nacional, ressaltando que uma eventual delação pode trazer novos elementos às investigações. Girão voltou a cobrar a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito, mista ou não, para apurar o caso. Um grupo de parlamentares já recorreu à Justiça para tentar viabilizar a criação da comissão.

— Urge a imediata instalação da CPI do Banco Master, ou CPMI. As duas estão judicializadas; é importante que isso se diga, porque eu acho que daqui não vai sair nada — completou Girão.