RELATÓRIO DO CONSELHO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Saúde mental de jornalistas exige mais estudos, aponta Conselho de Comunicação

Documento destaca aumento de afastamentos por transtornos mentais e aponta necessidade de pesquisas nacionais para embasar políticas públicas.

Publicado em 06/04/2026 às 18:28
Relatório aponta desafios e necessidade de novas pesquisas sobre saúde mental de jornalistas no Brasil. Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados

O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional apresentou, nesta segunda-feira (6), um relatório que destaca a necessidade de ampliar pesquisas sobre a saúde mental de profissionais da comunicação.

Durante a reunião, o conselheiro Carlos Magno ressaltou a dificuldade em obter dados atualizados sobre o tema. Segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), em 2024 foram registrados 472 mil afastamentos por transtornos mentais, representando um aumento de 68% em relação ao ano anterior. O tempo médio de afastamento foi de 196 dias.

O relatório também aponta que longas jornadas de trabalho e a apuração frequente de situações trágicas são desafios enfrentados por jornalistas.

Magno citou uma pesquisa realizada nos Estados Unidos, em 2024, com 1.140 jornalistas, que revelou que 84% dos profissionais e 88% dos ex-jornalistas relataram problemas de saúde mental. Segundo o estudo, 64% afirmaram que essas questões impactam significativamente o ambiente de trabalho.

Outro levantamento mencionado foi o estudo “Jornalismo no Brasil em 2025”, produzido pela newsletter Farol Jornalismo em parceria com a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que ouviu 275 profissionais de seis redações brasileiras.

Entre os problemas relatados pelos jornalistas brasileiros estão:

  • falta de empatia;
  • pouca transparência;
  • comunicação violenta;
  • desrespeito às folgas;
  • sobrecarga de trabalho.

"A pesquisa é limitada, mas indica tendências e reforça a necessidade de ampliar o debate", afirmou Carlos Magno, acrescentando que a situação se agravou após a pandemia de coronavírus.

O conselheiro destacou que medidas individuais, como a prática de exercícios físicos, alimentação adequada e sono regular, podem ajudar. Já entre as ações coletivas, ele citou o combate às jornadas exaustivas e o incentivo ao trabalho em equipe.

Novas pesquisas

Carlos Magno sugeriu que o conselho solicite ao DataSenado a realização de uma pesquisa nacional sobre o tema.

A conselheira Samira Castro informou que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em parceria com o Ministério do Trabalho, lançará uma pesquisa sobre a saúde mental da categoria. Segundo ela, quase metade dos jornalistas relatou sintomas de depressão e insônia.

"A pesquisa vai orientar políticas sindicais e ampliar a atenção da sociedade ao tema, para melhorar as condições de trabalho", destacou Samira Castro.

A reunião foi conduzida pela vice-presidente do conselho, Angela Cignachi.