CPI DO CRIME ORGANIZADO

CPI do Crime ouvirá Galípolo e Campos Neto sobre atuação do Banco Central no caso Banco Master

Presidente e ex-presidente do Banco Central prestarão esclarecimentos sobre fiscalização e idoneidade no processo de liquidação do Banco Master.

Publicado em 06/04/2026 às 17:46
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo Reprodução

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e seu antecessor, Roberto Campos Neto, serão ouvidos pela CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (8), às 9h. Ambos deverão prestar esclarecimentos sobre a atuação da autarquia em relação à liquidação do Banco Master e à conduta de seu então controlador, Daniel Vorcaro.

Convocação

O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi o responsável pelo requerimento que convoca Campos Neto, que esteve à frente do Banco Central entre 2019 e 2025. Segundo Alessandro, o ex-presidente é uma “testemunha qualificada” para detalhar os critérios de idoneidade exigidos de novos controladores de instituições financeiras.

O documento destaca que, em 2019, o Banco Central autorizou Daniel Vorcaro a assumir o controle do antigo Banco Máxima, posteriormente rebatizado como Banco Master. O requerimento também cita a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura possíveis ações ilegais de servidores do Banco Central para proteger os interesses do Banco Master.

“A experiência acumulada por Roberto Campos Neto à frente do Banco Central o coloca em posição privilegiada para contribuir com uma dimensão prospectiva igualmente importante para esta Comissão: a identificação de lacunas regulatórias e a proposição de aperfeiçoamentos institucionais que possam fortalecer a capacidade do sistema financeiro nacional de resistir à infiltração de organizações criminosas”, argumenta o senador.

‘Finalidade institucional’

Já a oitiva de Gabriel Galípolo atende a requerimento do senador Eduardo Girão (Novo-CE), fundamentado em notícias sobre uma reunião ocorrida no Palácio do Planalto, em novembro de 2024. Segundo as informações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Galípolo e outros agentes públicos teriam se encontrado com Daniel Vorcaro. Girão questiona a finalidade institucional desse encontro.

“A oitiva pretendida não se dirige à atividade técnica do Banco Central em si, mas à necessidade de assegurar transparência institucional e afastar quaisquer dúvidas sobre eventual interferência política ou econômica indevida em processos de fiscalização e controle do sistema financeiro, temas diretamente relacionados ao objeto desta CPI”, justifica o requerimento.

Como participar

O evento será interativo: qualquer pessoa pode enviar perguntas e comentários pelo telefone da Ouvidoria do Senado (0800 061 2211) ou pelo Portal e‑Cidadania. As mensagens podem ser lidas e respondidas ao vivo por senadores e debatedores. O Senado oferece uma declaração de participação, válida como atividade complementar em cursos universitários. No Portal e‑Cidadania, também é possível opinar sobre projetos e sugerir novas leis.