ELEIÇÕES 2026 | JANELA PARTIDÁRIA

Palanques estaduais e mais recursos para campanhas impulsionam janela partidária; ouça análise

Movimentação de deputados federais aponta estratégias regionais e busca por fundos eleitorais

Publicado em 06/04/2026 às 10:27
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial Nano Banana (Google Imagen)

O PL, liderado pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, foi o maior beneficiado pela janela de troca partidária realizada no último mês na Câmara dos Deputados, segundo levantamento parcial do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

A chamada janela partidária, que ocorreu entre 5 de março e 3 de abril, permite que deputados federais troquem de partido sem risco de perda de mandato por infidelidade partidária, visando disputar as próximas eleições. O número final de trocas deve ser divulgado nesta segunda-feira, 6.

De acordo com a apuração parcial, o PL ampliou sua bancada em 12 parlamentares, com a entrada de 20 novos deputados e a saída de oito, totalizando 97 representantes na Câmara.

O PSD, que lançou o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como pré-candidato à Presidência, ficou em segundo lugar, com saldo positivo de sete deputados federais.

Já o União Brasil, partido de origem de Caiado, registrou a maior perda: ao todo, 17 deputados deixaram a legenda, resultado da entrada de cinco e da saída de 22 parlamentares.

O PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, não filiou nenhum deputado federal durante a janela e perdeu uma integrante, com a saída da deputada cearense Luizianne Lins para a Rede. O PDT, outro partido da base governista, foi o segundo que mais perdeu, com saldo negativo de seis deputados federais.

Em entrevista à Rádio Eldorado, o cientista político Bruno Silva, diretor do Movimento Voto Consciente, analisou que as mudanças refletem, em grande parte, estratégias voltadas para as disputas estaduais.

Segundo Bruno Silva, o fator financeiro também pesou nas decisões dos parlamentares. "O PL foi o que mais se beneficiou por dois motivos. Primeiro, é o partido que deve receber a maior fatia do Fundo Partidário, distribuído em 12 parcelas anuais. Além disso, neste ano eleitoral, o partido também será o principal beneficiário do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, que soma cerca de R$ 5 bilhões para custear as campanhas. Portanto, o aspecto financeiro é extremamente relevante diante dos altos custos envolvidos nas eleições", destacou.