FRAUDE PRÉ-ELEITORAL

Denúncia de filiações sem consentimento abala bastidores da política em Maceió e atinge PSDB de JHC

Vereador Leonardo Dias afirma que ao menos quatro parlamentares relataram ter sido filiados ao PSDB sem autorização; caso pode parar na Justiça Eleitoral e em órgãos de investigação

Por Redação Publicado em 06/04/2026 às 00:24
Vereador Leonardo Dias Reprodução

Uma denúncia pública feita pelo vereador Leonardo Dias, dirigente do PL em Alagoas, abriu uma crise política de grandes proporções em Maceió e lançou suspeitas graves sobre filiações partidárias atribuídas ao PSDB, legenda que passou a ser comandada em Alagoas pelo ex-prefeito João Henrique Caldas, o JHC. Segundo a manifestação tornada pública por Leonardo Dias, ao menos quatro vereadores teriam relatado que foram filiados ao partido sem consentimento, o que, se confirmado, pode configurar fraude com repercussões eleitorais, partidárias e até criminais.

A denúncia ganhou força porque não partiu de boato de bastidor, mas de um pronunciamento direto de um dos principais nomes do PL na Câmara de Maceió. Em sua manifestação nas redes sociais, Leonardo Dias afirmou ter recebido correspondências de vereadores relatando filiação indevida ao PSDB e anunciou que o partido pretende acionar os órgãos competentes para identificar e punir os responsáveis, caso as acusações sejam confirmadas. Ele também advertiu que parlamentares que tenham deixado o partido em desrespeito à fidelidade partidária poderão ter os mandatos questionados judicialmente.

O caso atinge em cheio o PSDB justamente no momento em que a legenda tenta se reorganizar politicamente em Alagoas sob a condução de JHC, ex-prefeito de Maceió que renunciou ao cargo de prefeito de Maceió no último sábado. A suspeita de que vereadores eleitos por outra sigla tenham aparecido como filiados ao partido sem anuência formal transforma o episódio em um escândalo de alto impacto, com potencial de contaminar a narrativa de reorganização tucana na capital e no Estado. A denúncia menciona nomes de vereadores que teriam surgido como filiados ao PSDB, embora parte deles não tenha confirmado oficialmente a mudança partidária. Um dos parlamentares citados, Luciano Marinho, afirmou que chegou a ser filiado ao PSDB sem anuência prévia e disse que a situação estaria sendo tratada de forma administrativa.

Além do abalo político, a controvérsia tem evidente dimensão jurídica. O episódio levanta questionamentos sobre a legalidade das filiações e também sobre eventual infidelidade partidária, uma vez que vereadores eleitos por uma legenda podem perder o mandato em determinadas hipóteses de troca partidária sem respaldo legal. Nos bastidores, a avaliação já é de que o caso pode desaguar em judicialização pesada, com repercussões na Justiça Eleitoral e possível acionamento de órgãos de controle e investigação.

Postagem do vereador Leonardo Dias, nas redes sociais

O ambiente ficou ainda mais tenso durante a posse do prefeito Rodrigo Cunha, realizada neste domingo na Câmara de Maceió. Relatos apontam que o clima, que deveria ser de celebração institucional, acabou atravessado por forte discussão envolvendo vereadores e integrantes do núcleo político da gestão. Segundo interlocutores, o motivo central da tensão teria sido justamente a condução dessas filiações atribuídas ao PSDB sem o consentimento formal dos parlamentares.

Há, inclusive, informações de bastidores de que o episódio já teria ultrapassado a esfera meramente partidária. Segundo os relatos reunidos no material, o caso teria sido levado ao Ministério Público Federal, haveria registro junto à Polícia Federal por um dos envolvidos e seria aguardada para esta semana uma ação do PL nacional contra vereadores por suposta infidelidade partidária. Essas medidas, contudo, ainda dependem de confirmação formal das autoridades competentes.

Se as denúncias forem comprovadas, Maceió poderá estar diante de um dos episódios mais delicados do atual ciclo político local: o de filiações partidárias contestadas, supostamente feitas sem autorização, atingindo diretamente o partido comandado pelo ex-prefeito da capital e abrindo uma nova frente de desgaste num momento de rearrumação das forças políticas para 2026. Por enquanto, o que existe de concreto é uma acusação pública grave, nomes envolvidos, ameaça de judicialização e um escândalo que já explodiu no coração da política maceioense.