LIBERDADE DE EXPRESSÃO

MP-SP desiste de ação contra Monark por fala sobre partido nazista

Promotoria entendeu que declaração polêmica do influenciador se enquadra em defesa abstrata da liberdade de expressão e não configura apologia ao nazismo.

Publicado em 03/04/2026 às 19:43
Monark Reprodução

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recuou e desistiu de processar o influenciador Bruno Monteiro Aiub, conhecido como Monark. Durante um debate em 2022, Monark afirmou que "o nazista tinha que ter o partido nazista reconhecido por lei" e que "se o cara quiser ser um anti-judeu, eu acho que ele tinha direito de ser".

Inicialmente, o MP-SP considerou as declarações como discurso de ódio com conteúdo antissemita e pediu que Monark fosse condenado a pagar R$ 4 milhões por danos morais coletivos. No entanto, em manifestação no processo no último dia 31, o promotor de Justiça Marcelo Otavio Camargo Ramos solicitou que a ação seja julgada improcedente.

Segundo o promotor, as falas de Monark "se enquadram na defesa abstrata (embora equivocada) da liberdade de convicção e expressão, e não na defesa do ideário nazista em si".

Monark foi desligado do podcast Flow, onde era um dos apresentadores, por conta das declarações feitas durante um episódio com os deputados federais Kim Kataguiri (União-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP).

Repercussão e defesa

Após a decisão, Monark declarou: "Fico muito feliz com essa vitória na Justiça. Agradeço à Free Speech Union Brasil por ter me ajudado nessa briga. Fico satisfeito que o Ministério Público tenha recobrado a sanidade, porque claramente não houve nenhum ataque a qualquer comunidade judaica, nem nada do tipo". A Free Speech Union Brasil foi a entidade responsável por sua defesa durante o processo.

O promotor ressaltou que o debate com Kim e Tabata não era sobre os "deméritos da execrável ideologia nazista", mas sobre os limites da liberdade de expressão.

"Defender o (odioso) nazismo significaria, em síntese, propugnar, exaltar ou legitimar ideário político e filosófico assentado no socialismo nacionalista", escreveu Ramos.

"Diversamente, defender a liberdade de convicção e de expressão de indivíduos que adiram a tal ideologia não implica adesão, endosso ou relativização de seu conteúdo, limitando-se à afirmação abstrata de que, em um regime democrático, o Estado não deve reprimir ideias enquanto tais, ausente discurso de ódio, incitação concreta à violência ou prática de atos ilícitos", completou o promotor.

Ele destacou ainda que, antes das afirmações, Monark repudiou o nazismo, classificando a ideologia como "merda", "lixo" e algo "do demônio".

Após a repercussão negativa, Monark publicou um vídeo nas redes sociais alegando que estava "muito bêbado" no momento das falas.

Outras polêmicas

No ano seguinte, Monark voltou a ser alvo de controvérsia ao sugerir que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, impedia a transparência das urnas com o objetivo de manipular as eleições. Em resposta, Moraes determinou o bloqueio dos perfis de Monark nas redes sociais para impedir a propagação de discurso antidemocrático.