JUSTIÇA E POLÍTICA INTERNACIONAL

Fachin rebate relatório do Congresso dos EUA e defende decisões do STF

Presidente do STF critica relatório americano que acusa Moraes de censura e reforça compromisso da Corte com a liberdade de expressão

Publicado em 03/04/2026 às 08:27
Fachin rebate relatório do Congresso dos EUA e defende decisões do STF Reprodução

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, divulgou nesta quinta-feira, 2, uma nota em resposta ao relatório preliminar da Comissão Judiciária da Câmara de Representantes dos Estados Unidos. O documento americano acusa o ministro Alexandre de Moraes de praticar censura, o que, segundo o texto, poderia comprometer a lisura das eleições presidenciais de 2026 no Brasil.

“O relatório traz caracterizações distorcidas da natureza e do alcance de decisões específicas do Supremo Tribunal Federal, bem como, mais amplamente, do sistema de proteção à liberdade de expressão no ordenamento jurídico brasileiro”, afirmou Fachin.

Sem citar diretamente Moraes, Fachin defendeu a atuação geral da Corte. “Registre-se preliminarmente que o Tribunal e todos os seus integrantes primam pela defesa da independência entre os Poderes e autoridade de suas decisões. Os Ministros do Supremo Tribunal Federal seguem à risca os preceitos constitucionais, sendo a liberdade de expressão um desses primados fundamentais de nossa República”, destacou.

O ministro também justificou ordens de remoção de conteúdo em plataformas digitais, expedidas em inquéritos relatados por Moraes, como o das fake news e o das milícias digitais.

Segundo Fachin, tais medidas “inserem-se no contexto de investigações que têm por objeto a instrumentalização criminosa de redes sociais por milícias digitais, com a finalidade da prática de diversas infrações penais, em especial os crimes de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito (art. 359-L do Código Penal), golpe de Estado (art. 359-M do Código Penal) e associação criminosa (art. 288 do Código Penal)”.

“No âmbito daqueles inquéritos, foram emitidas medidas cautelares quando presentes indícios robustos da prática daqueles crimes”, acrescentou o presidente do STF.

Fachin informou ainda que esclarecimentos “que possam contribuir para a restituição de uma leitura objetiva dos fatos” serão encaminhados ao órgão do Congresso dos EUA, por canais diplomáticos e no nível adequado.

Comissão dos EUA critica atuação de Moraes

A Comissão Judiciária da Câmara de Representantes dos EUA divulgou nesta quarta-feira, 1.º, seu mais recente relatório sobre a liberdade de expressão no Brasil. O documento provisório, elaborado por uma equipe do colegiado, aponta: “As ordens de censura e as manobras jurídicas do ministro Moraes contra a família Bolsonaro e seus apoiadores podem prejudicar significativamente a capacidade deles de se manifestarem online sobre assuntos de importância pública nos meses que antecedem a eleição presidencial brasileira”.

O colegiado americano é dominado por aliados do ex-presidente Donald Trump, junto aos quais atua em Washington o lobby da oposição bolsonarista. Em janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o youtuber Paulo Figueiredo visitaram o gabinete do parlamentar republicano Jim Jordan, que preside a comissão.