Pacheco comunica ao PSB que se filiará ao partido nesta quarta-feira em Brasília
Senador mineiro atende a apelos de Lula, mas mantém indefinição sobre candidatura ao governo de Minas Gerais
O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) comunicou a integrantes do PSB que irá se filiar ao partido, em ato previsto para esta quarta-feira, 1º, em Brasília.
Pacheco vinha sendo pressionado há meses pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para aceitar a missão de disputar o governo de Minas Gerais e, assim, garantir um palanque forte para o petista no segundo maior colégio eleitoral do país.
Apesar da filiação, aliados do senador destacam que a mudança de legenda não significa, necessariamente, que ele será candidato ao Palácio Tiradentes. Segundo esses interlocutores, o ato desta quarta-feira será apenas "cartorário", e a decisão final sobre a candidatura deve ficar para mais perto das convenções partidárias, entre julho e início de agosto.
A preferência inicial de Pacheco era ser indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas o presidente optou pelo advogado-geral da União, Jorge Messias.
Pacheco acompanhou Lula na visita a Minas Gerais em 20 de março. Na ocasião, conforme relatos, o presidente fez um ultimato ao senador. A pressão surtiu efeito, mas a expectativa é que Pacheco acabe cedendo "desanimado" aos apelos do Planalto.
Sem a presença de Pacheco, Lula teria dificuldades para formar um palanque competitivo em Minas, já que as negociações para reeditar a aliança com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), não avançaram.
O senador também recebeu convites de outros partidos, como União Brasil e MDB, ambos com maior estrutura em Minas Gerais que o PSB. No entanto, a falta de coesão interna nas duas siglas pesou contra a filiação de Pacheco.
Embora tenha aliados tanto no União Brasil quanto no MDB, a tendência é que o União Brasil apoie o vice-governador Mateus Simões (PSD), enquanto no MDB a resistência partiu principalmente do presidente estadual, deputado federal Newton Cardoso Jr., que não quis abrir mão do comando da legenda.
Pessoas próximas ao senador enxergam uma tentativa de Pacheco de articular uma frente ampla para uma eventual candidatura. Além dos partidos de esquerda, ele poderia contar com apoio de setores do União Brasil, MDB e até PSDB. No início do mês passado, Pacheco almoçou com o deputado federal Aécio Neves (PSDB), com quem mantém boa relação.
Embora adversários em âmbito nacional, PT e PSDB já fizeram alianças informais em Minas Gerais, como a conhecida dobradinha "Lulécio", que defendia voto em Aécio para governador e Lula para presidente.
A composição da chapa governista em Minas ainda está indefinida. A única certeza é a candidatura ao Senado de Marília Campos (PT), que renunciou recentemente à prefeitura de Contagem (MG).
Aliados de Lula chegaram a sugerir que Kalil desistisse da candidatura ao governo estadual para disputar a segunda vaga ao Senado numa chapa encabeçada por Pacheco. Kalil, porém, rejeitou a hipótese em entrevista ao jornal O Globo: "Não existe isso de um candidato com 20% apoiar outro que tem 5%", afirmou.
Nesta terça-feira, 31, o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares, anunciou sua saída do Ministério Público estadual, movimento considerado um sinal de aspirações políticas. Soares é cotado para disputar o Senado ao lado de Marília ou até mesmo para compor como vice em uma eventual chapa de Pacheco.
O PSB reforçou nos últimos dias a aliança com o PT e Lula. O presidente confirmou que Geraldo Alckmin (PSB) seguirá como seu candidato a vice. Além disso, o partido recebeu a ex-ministra do Planejamento, Simone Tebet, que será candidata ao Senado na chapa de Fernando Haddad (PT) em São Paulo.